Naiara forçou um sorriso.
— A senhora não está velha, parece muito jovem.
O assunto foi habilmente desviado.
Belmira riu levemente.
— Quando envelhecemos, temos que aceitar. Eu não me importo muito com a idade, mas carrego um arrependimento.
Naiara imaginou o rumo da conversa.
Desde o início do jantar, não houve menção alguma a filhos.
Ou eles tinham uma relação conturbada com os herdeiros, ou simplesmente não os tinham.
Belmira soltou um longo suspiro.
— Meu único arrependimento é não ter dado um filho ou uma filha ao Leonardo. Sinto que fiquei em dívida com ele nesta vida.
O rosto sempre sorridente de Belmira de repente foi tomado por uma sombra de melancolia.
Naiara a observou, sentindo um aperto no coração.
— Houve uma época em que cheguei a pensar em pedir o divórcio, para que ele pudesse se casar de novo e ter a chance de ser pai. Mas ele se recusou terminantemente.
— Ele me disse que não se casou comigo apenas para dar continuidade à linhagem. Ele se casou comigo por quem eu sou.
— Disse que, se nós nos divorciássemos, ele viraria um monge.
Ao chegar nessa parte, Belmira voltou a rir.
— Não se deixe enganar por aquela postura séria e intimidadora dele. No fundo, ele é uma pessoa muito fácil de lidar. Desde que não seja uma questão de princípios, ele é extremamente tolerante.
— Sim, dá para perceber. O senhor Leonardo é um homem muito íntegro — concordou Naiara.
Belmira ficou observando Naiara em silêncio por alguns instantes.
Naiara tocou a própria bochecha, confusa.
— Senhora Belmira, tem algo no meu rosto?
Com os olhos brilhando de alegria, Belmira disparou:
— Naiara, o que você acha de ser nossa afilhada? Nossa filha de consideração?
O quê?
Antes que pudesse processar a informação, Naiara foi puxada pelo braço até a sala de estar.
Afonso e Leonardo continuavam focados no xadrez.
A animação fez o tom de voz de Belmira subir.
— Leonardo, pare de jogar um instante. Preciso discutir algo importante com você.
Sem levantar a cabeça, Leonardo respondeu:
— Só um segundo, deixa eu terminar essa partida. Estou quase ganhando.
Naiara bateu os olhos no tabuleiro.
Antes que Naiara pudesse dizer qualquer coisa, Belmira a posicionou na frente de Leonardo.
— Leonardo, o que você acha de adotarmos a Naiara como nossa afilhada?
A pergunta pegou não apenas Leonardo, mas até Afonso de surpresa.
Leonardo sorriu e ponderou:
— Você ao menos perguntou a opinião da senhorita Naiara antes de decidir isso sozinha?
— Ah, é verdade! — Belmira bateu na testa, virando-se para a jovem. — Naiara, você aceitaria?
Naiara não sabia como reagir.
Se dissesse não, soaria arrogante e ofenderia a boa vontade daquela senhora.
Se dissesse sim, pareceria uma interesseira tentando se infiltrar em uma família influente.
Inconscientemente, Naiara olhou para Afonso em busca de apoio.
Desta vez, no entanto, ele não interveio.
Apenas a observou com um leve sorriso nos lábios.
Um sorriso tão acolhedor quanto o sol de primavera, iluminando seus traços marcantes de maneira irresistível.
Impaciente com a expectativa, Belmira insistiu:
— Naiara? Você aceita?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...