Por um momento, Isadora não soube o que dizer.
Ficou sentada ao lado de Naiara por um longo tempo.
Tanto tempo que a luz do pôr do sol atravessou a janela e recaiu sobre a figura que permanecia imóvel.
As marcas de lágrimas já haviam sido limpas, deixando para trás apenas uma calma estagnada.
Ninguém sabia o que se passava em sua mente, mas quando ela finalmente abriu a boca, sua voz soou incrivelmente estável.
— Isadora, eu errei.
Isadora segurou a mão dela.
— Calma, não fique pensando bobagens...
— Eu errei. Errei muito.
Com o coração em pedaços e o interior em turbilhão, Naiara sentiu uma forte náusea. Não sabia se era um sintoma da gravidez ou a dor psicológica que não conseguia suportar.
Mas ela se conteve.
Sua voz, fria e vagarosa, ecoou pelo espaço silencioso.
— Meu erro foi ter me apaixonado por Carlos Lucca. Foi ter insistido em me casar com ele, mesmo sabendo que ele não me amava.
— Não foi a família Lucca que pisou na minha dignidade. Fui eu. Eu mesma joguei meu orgulho no lixo. Fui eu que me rebaixei, arriscando tudo por um suposto amor.
— Fui muito idiota ao achar que o amor era tudo na vida, achando que, se eu me dedicasse, conseguiria amolecer o coração dele e receber algo em troca.
— Três anos... não é muito, mas também não é pouco. Desperdicei tudo. Joguei três anos fora...
Naiara suspirou profundamente, com o olhar perdido na janela.
O pôr do sol era lindo.
Mas, naquele momento, só a fazia sentir uma desolação avassaladora.
Sua vida não deveria ser assim.
— Isadora, eu não posso mais viver assim. É hora de voltar ao meu verdadeiro lugar...
Luciana a desprezava.
A família Lucca a desprezava.
A vida de sua mãe foi tratada como uma brincadeira por eles, descartada como se não fosse nada.
Eles só puderam humilhá-la dessa forma porque ela vinha de baixo, sem poder, sem influência e sem ninguém para apoiá-la.
Pois bem!
Lembrando da expressão de Afonso ao ir embora, Naiara sentiu um sufoco repentino.
— Mas eu não deveria ter descontado nele. Por que ele tem que suportar a minha carga negativa?
Isadora apertou os lábios.
— Naiara, o Sr. Afonso, ele...
Como o silêncio se prolongou, Naiara virou-se para encará-la.
— O que tem ele?
— Ele...
As palavras estavam na ponta da língua, mas Isadora não teve coragem de dizer.
Assim como Fábio havia alertado, se essa verdade viesse à tona, será que os dois conseguiriam continuar sendo amigos?
Naiara insistiu.
— Isadora, tem algo que você quer me dizer?
Isadora deu um sorriso contido.
— Nada. Eu só ia dizer que o Sr. Afonso é um homem muito bom. Ele não deve levar isso para o lado pessoal. Na pior das hipóteses, depois você vai lá, pede desculpas pessoalmente e admite seu erro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...