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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 302

Por um momento, Isadora não soube o que dizer.

Ficou sentada ao lado de Naiara por um longo tempo.

Tanto tempo que a luz do pôr do sol atravessou a janela e recaiu sobre a figura que permanecia imóvel.

As marcas de lágrimas já haviam sido limpas, deixando para trás apenas uma calma estagnada.

Ninguém sabia o que se passava em sua mente, mas quando ela finalmente abriu a boca, sua voz soou incrivelmente estável.

— Isadora, eu errei.

Isadora segurou a mão dela.

— Calma, não fique pensando bobagens...

— Eu errei. Errei muito.

Com o coração em pedaços e o interior em turbilhão, Naiara sentiu uma forte náusea. Não sabia se era um sintoma da gravidez ou a dor psicológica que não conseguia suportar.

Mas ela se conteve.

Sua voz, fria e vagarosa, ecoou pelo espaço silencioso.

— Meu erro foi ter me apaixonado por Carlos Lucca. Foi ter insistido em me casar com ele, mesmo sabendo que ele não me amava.

— Não foi a família Lucca que pisou na minha dignidade. Fui eu. Eu mesma joguei meu orgulho no lixo. Fui eu que me rebaixei, arriscando tudo por um suposto amor.

— Fui muito idiota ao achar que o amor era tudo na vida, achando que, se eu me dedicasse, conseguiria amolecer o coração dele e receber algo em troca.

— Três anos... não é muito, mas também não é pouco. Desperdicei tudo. Joguei três anos fora...

Naiara suspirou profundamente, com o olhar perdido na janela.

O pôr do sol era lindo.

Mas, naquele momento, só a fazia sentir uma desolação avassaladora.

Sua vida não deveria ser assim.

— Isadora, eu não posso mais viver assim. É hora de voltar ao meu verdadeiro lugar...

Luciana a desprezava.

A família Lucca a desprezava.

A vida de sua mãe foi tratada como uma brincadeira por eles, descartada como se não fosse nada.

Eles só puderam humilhá-la dessa forma porque ela vinha de baixo, sem poder, sem influência e sem ninguém para apoiá-la.

Pois bem!

Lembrando da expressão de Afonso ao ir embora, Naiara sentiu um sufoco repentino.

— Mas eu não deveria ter descontado nele. Por que ele tem que suportar a minha carga negativa?

Isadora apertou os lábios.

— Naiara, o Sr. Afonso, ele...

Como o silêncio se prolongou, Naiara virou-se para encará-la.

— O que tem ele?

— Ele...

As palavras estavam na ponta da língua, mas Isadora não teve coragem de dizer.

Assim como Fábio havia alertado, se essa verdade viesse à tona, será que os dois conseguiriam continuar sendo amigos?

Naiara insistiu.

— Isadora, tem algo que você quer me dizer?

Isadora deu um sorriso contido.

— Nada. Eu só ia dizer que o Sr. Afonso é um homem muito bom. Ele não deve levar isso para o lado pessoal. Na pior das hipóteses, depois você vai lá, pede desculpas pessoalmente e admite seu erro.

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