Naiara fez uma pausa de alguns segundos.
— Nós somos apenas bons amigos, com interesses em comum. Além disso, o Afonso tem uma noiva. Como eu poderia nutrir qualquer tipo de sentimento por ele nesse sentido?
Através do vidro, Isadora observou a paisagem lá fora, o olhar perdido.
O tempo havia esfriado, e o cenário parecia um pouco melancólico.
— Com um homem como ele, seria normal ter interesse.
Naiara estava confusa.
— Isadora, por que eu sinto que você está agindo de um jeito muito esquisito?
Demorou bastante até que Isadora virasse o rosto de volta para ela.
— Naiara, deixa eu te fazer uma pergunta.
— Pode fazer.
— Se um dia, nós duas quiséssemos muito um mesmo brinquedo... um que nós adorássemos, mas fosse edição limitada. Só existisse um no mundo inteiro. O que faríamos?
Naiara deu uma risadinha.
— Que brinquedo seria esse, edição limitada global?
— Por isso eu disse "se".
Naiara respondeu sem pensar muito:
— Se você gosta, é seu.
— E se você também gostasse muito?
— É só um brinquedo. Por mais que eu gostasse, ainda seria só um brinquedo. Entre um objeto e a nossa amizade, eu valorizo muito mais a nossa irmandade.
— Isadora, nós somos como irmãs há tantos anos. Como eu iria partir o seu coração por causa de um brinquedo? Se você quer, ele é seu.
Isadora apertou os lábios e olhou para Naiara por um longo tempo.
De repente, pareceu que o peso em seus ombros havia sumido.
— É verdade. O que poderia ser mais precioso do que a nossa irmandade?
No outro carro, Fábio também estava olhando para o nada.
Só que Afonso simplesmente o ignorava.
Fábio ficou viajando por um tempão, até se entediar. Recostou o banco para trás e se espreguiçou folgadamente.
— Ô, Afonso.
— Hum.
— Me diz uma coisa, eu não sou inferior a você. Por que você faz tanto sucesso e eu fico às moscas?
Afonso olhou para ele de canto de olho.
— Você às moscas? Se eu não me engano, você já trocou de namorada três vezes só este ano.
— Ah, aquelas lá eram pura diversão — respondeu Fábio, com preguiça. — Rostinhos bonitos e vazios. Nenhuma que eu realmente tenha levado a sério. Para ser sincero, nem faziam o meu tipo.
Afonso sorriu sem dizer nada.
Fábio o encarou de lado.
— Na verdade... eu sei que não existe "vai que".
Durante todos aqueles anos, dividindo alegrias e tristezas, lutando lado a lado e compartilhando segredos.
Ainda assim, não tinha despertado um pingo de romantismo nela.
Tantos anos depois, como haveria um "vai que"...?
— Mas ouvir você jogar isso na minha cara de um jeito tão cruel me deixa triste, sabia? Afonso, meu coração está ferido. Você não deveria me consolar?
— Como você quer ser consolado? — perguntou Afonso.
Uma ideia iluminou a mente de Fábio.
— Aquele modelo de avião que você tem no escritório... hehe...
— Fechado — disse Afonso.
Fábio achou que tinha ouvido errado.
— O quê?
— Escolha o que você quiser. É seu.
Fábio deu dois tapinhas na própria bochecha.
— Eu não estou sonhando, estou?
Ele havia implorado por aquele avião umas oitocentas vezes sem sucesso, e hoje o cara simplesmente o entregava de bandeja?
Por quê?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...