Era uma foto do dia do casamento de Naiara.
E na imagem, as costas de um homem...
Fábio, vendo-a paralisada no chão, aproximou-se curioso.
— Qual é o transe? Achou um tesouro perdido?
Mas ao chegar mais perto e bater os olhos na figura de costas na fotografia, ele também travou.
Fábio arrancou a foto da mão dela. Qualquer outra pessoa poderia duvidar, mas não ele. Quem mais seria, senão o seu melhor amigo?
Quando Isadora finalmente falou, não havia mais traço de sorriso em seu rosto. Sua expressão estava carregada de uma melancolia repentina.
— Esse é o Sr. Afonso, não é?
Fábio hesitou por um longo momento.
— Não, você viu errado.
— Fábio, você acha que eu sou cega ou idiota?
Fábio soltou um suspiro pesado.
— Finja que não viu isso.
Isadora ficou boquiaberta, tentando processar.
— Como é possível...?
Fábio não queria expor a ferida, tentando desesperadamente encobrir a verdade.
— Deve ter sido uma coincidência daquele dia. Ele estava lá de passagem, sabe como é...
Assim que as palavras saíram, ele quis dar um tapa na própria cara. Que baboseira, nem ele acreditava naquilo!
Isadora pegou a foto de volta e a examinou repetidas vezes. A memória finalmente a atingiu. Ela havia ido ao casamento de Naiara. E no meio de todos os convidados, ela notara um homem que, mesmo tentando se misturar, exalava uma aura magnética impossível de ignorar. Fora apenas um vislumbre das costas dele, mas inesquecível.
— Sim, você está certa. O Afonso já sabia que a Naiara era a Tempestade e já a amava desde aquela época. Ele ia se declarar, mas a Naiara se apaixonou pelo Carlos. Então, o Afonso recuou. No dia do casamento, ele voou direto de Porto das Estrelas até Rio Belo só para vê-la.
Fábio olhou para a foto mais uma vez, a voz baixando.
— Ele queria ver a Naiara vestida de noiva. Queria ver se ela estava realmente feliz. E, depois de vê-la sorrindo e radiante naquele vestido, o Afonso foi embora em silêncio. Mas antes de partir, ele deixou um presente generoso.
Isadora sentiu um nó gigante se formar em sua garganta.
— Um presente?
— Sim. Um colar desenhado pelo próprio Afonso, com um pingente em formato de jasmim.
Isadora sabia o porquê. Porque o nome de Naiara carregava o mesmo significado do jasmim em suas origens orientais. E havia também uma antiga lenda ligada à flor. A lenda dizia que a Fada do Jasmim, uma entidade de pura beleza, pureza e doçura, havia depositado seu poder e proteção numa joia com aquele formato, concedendo-lhe propriedades mágicas e apaixonantes.
Fábio suspirou, cheio de amargura pelo amigo.
— Uma pena que esse colar simplesmente desapareceu sem deixar rastros. Não sabemos se alguém da família Lucca escondeu a joia, ou se foi parar nas mãos da Luciana. A única certeza é que a Naiara nunca chegou a recebê-lo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...