Ele começou a duvidar de seus próprios sentimentos iniciais.
No passado, ele queria tanto a Adriana. Mas seria mesmo por amor? Ou era apenas o instinto de posse agindo? Talvez, quando alguém roubou seu brinquedo favorito, o que ele sentiu não foi amor, mas apenas a recusa em perder, um desejo ardente de tomá-lo de volta por puro orgulho.
Adriana saiu do quarto.
Franciely sorriu para ela.
— Ouviu tudo?
Adriana se encolheu contra a velha senhora, fazendo manha com sua voz melosa e infantil.
— Ouvi sim, vovó.
— Está mais tranquila agora?
— Estou, sim.
Franciely deu tapinhas na mão delicada de Adriana, com um afeto de dar inveja a qualquer neta biológica.
— Menina boba, não fique com essas minhocas na cabeça. Você é a mulher que o Carlos mais ama neste mundo, e também o grande pilar da nossa família Lucca. Como ele poderia mudar de ideia?
Adriana fez um biquinho tristonho.
— Eu só achei que o Carlos andava um pouco frio ultimamente, por isso pensei que...
— Isso é porque ele está sob muita pressão no trabalho — interrompeu Franciely. — Por um lado, ele tem que lidar com as novas instalações da fábrica e, por outro, está enfrentando uma concorrência desleal daquele tal de Afonso. A pressão é imensa. Você precisa ser compreensiva e pensar no lado dele, não concorda?
Adriana afinou a voz, fingindo submissão.
— Eu sei, vovó. A Adriana errou. Não deveria ter pensado besteira.
Era um quadro de harmonia e afeto familiar.
— Adriana, eu lhe garanto — prometeu Franciely. — Assim que a certidão de divórcio sair, farei o Carlos casar com você.
Adriana fingiu preocupação novamente.
— Vovó, e se o Carlos se arrepender? O que a gente faz?
Franciely franziu as sobrancelhas, implacável.
— Ele não terá chance de se arrepender. Já usei meus contatos e o pedido de divórcio deles será aprovado rapidamente. Assim que passar, a certidão será emitida.
Adriana abraçou Franciely de imediato, eufórica, a falsidade disfarçada de pura alegria.
— Obrigada, vovó! A senhora é tão boa para mim. Fique tranquila, falarei com o meu pai. Vou pedir a ele que dê um jeito de reabrir a sua clínica de estética o mais rápido possível.
Do lado de fora, a mão de Carlos apertou a maçaneta da porta com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.
— Vá se sentar. Deixe isso comigo.
— Eu só ia pegar as coisas leves — protestou ela polidamente. — Preciso me mexer um pouco.
Afonso pegou um livro e entregou a ela.
— Segure isto.
Naiara não conteve o sorriso. Estava prestes a responder quando um barulho alto de algo caindo veio do quarto. Ela não se importou com objetos quebrados, apenas se preocupou com os amigos.
— Vocês estão bem aí?
Eram Isadora e Fábio. Isadora havia deixado cair uma caixa sem querer e gritou de volta:
— Tudo bem, tudo bem! Foi sem querer!
Naiara suspirou aliviada.
No quarto, Isadora se agachou para recolher o que havia despencado. Para sua surpresa, a caixa estava cheia de fotografias de Naiara, cobrindo desde a infância até a vida adulta.
Ao pegar a última foto...
A mão de Isadora congelou no ar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...