Naiara soltou uma risada genuína.
— Com essa garantia, acho que posso ouvir sem medo.
A voz do homem soou limpa, elegante e profunda, de uma forma peculiarmente envolvente.
— A família Xavier é conhecida como uma das quatro grandes famílias em Porto das Estrelas, construída do zero pelo meu bisavô. Lá, sou conhecido simplesmente como Senhor Afonso.
— Desde o momento em que nasci, meu destino estava traçado. O peso da família inteira recairia sobre os meus ombros, incluindo a responsabilidade de herdar o império do meu avô e do meu pai, e de garantir a grandeza contínua dos Xavier.
— Por isso, desde pequeno, fui submetido a todo tipo de educação rigorosa e treinamentos exaustivos. As regras da casa eram tão severas que nunca soube o que era, de fato, a diversão da infância.
Naiara suspirou ao ouvir o relato, sentindo uma pontada de empatia.
Sua própria infância não havia sido muito melhor.
— O alcance da família é vasto, e os conflitos internos são intermináveis. Aconteceram muitas coisas ao longo dos anos.
— Tantas que...
O suspiro de Afonso soou dolorosamente nítido na quietude da noite.
— Tantas que eu já nem sei mais o que significa a palavra "família".
Seus tios e primos... um bando de pessoas dispostas a derramar o sangue uns dos outros em disputas ferozes por poder e dinheiro.
Naiara tentou confortá-lo, a voz suave.
— Quanto maior e mais poderosa a família, maiores são os conflitos. É algo inevitável. Quanto a amor de família...
— Nem sei como te consolar. Para ser sincera, eu também não recebi muito disso.
Os dois se olharam.
E ambos sorriram, um sorriso carregado de ironia amarga.
— Eu me saí razoavelmente bem — continuou Afonso. — Meu avô e meu pai ficaram muito satisfeitos com o meu desempenho. Foi só por isso que me permitiram vir para o interior e transformar meus interesses pessoais em um negócio.
Ouvindo aquilo, Naiara não conseguiu evitar a pergunta:
— Então, no futuro... você terá que voltar para Porto das Estrelas?
Afonso cerrou os lábios e a observou por alguns segundos.
— Talvez.
Naiara sentiu uma estranha inquietação no peito.
Talvez sentindo que havia cruzado uma linha ao perguntar, ela emendou rapidamente:
— Porto das Estrelas é bonita? Nunca estive lá.
Afonso deu um sorriso discreto.
— Sim. É bem bonita.
— Entendi.
— Um dia, te levo para conhecer.
De repente, a imagem da noiva dele surgiu na mente de Naiara.
— Quando você e sua noiva se casarem lá, com certeza eu irei prestigiar. Terei bastante tempo para conhecer a cidade.
A expressão de Afonso endureceu por uma fração de segundo.
Naiara, percebendo a mudança de humor, tentou desesperadamente mudar de assunto.
— Ah, a propósito... o seu avô ainda mora em Porto das Estrelas? Ele está bem de saúde?
Ou se ele realmente queria se casar?
Eram, no fim das contas, questões íntimas demais.
Afonso levantou-se.
— Já está tarde. Preciso ir.
Naiara se apressou em levantar também.
— Certo. Vou acompanhá-lo até a saída.
— Não é necessário.
— Acabei de tomar aquele caldo. Preciso caminhar um pouco para ajudar na digestão, senão não vou conseguir dormir.
Diante da justificativa, Afonso concordou.
— Tudo bem.
A noite já ia alta e o arrepio do frio era cortante.
Os dois caminhavam lado a lado sob a luz da lua, envoltos em silêncio.
Naiara abraçou o próprio corpo, encolhendo-se levemente no casaco.
— Se estiver com frio, pode voltar — sugeriu ele.
— Não estou com frio. Vesti roupas bem quentes hoje.
— E o bebê...?
— Ela tem se comportado muito bem ultimamente, não tem dado trabalho. Os enjoos da gravidez também diminuíram bastante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...