Afonso lhe estendeu um guardanapo.
— Por que pensou isso?
Naiara ajustou a postura, tentando disfarçar o desconforto.
— Sobre o que aconteceu da última vez, eu...
Afonso a olhava com uma ternura inabalável, como se aquele incidente nunca tivesse existido.
— A última vez foi força das circunstâncias, não foi sua intenção. Na verdade, quem deveria pedir desculpas sou eu.
Naiara franziu a testa.
— Por que o pedido de desculpas viria de você?
Afonso hesitou por um instante, deixando a frase morrer no ar.
Deveria contar a ela que, naquele momento, quase perdeu o controle e a tomou para si?
Talvez fosse melhor não.
Ele realmente não queria arruinar a relação que estavam construindo.
— Pode me prometer uma coisa? — pediu Afonso.
— Claro, diga.
— Vamos esquecer completamente o que aconteceu daquela vez. Podemos continuar como antes, sendo apenas bons amigos. O que acha?
Era exatamente isso que Naiara esperava ouvir.
— Desde que você não se importe, para mim está ótimo.
Os lábios de Afonso se ergueram em um leve sorriso.
— Como eu poderia me importar?
Só então Naiara teve coragem de olhar para o machucado no lábio dele.
Felizmente, já estava cicatrizando.
Não deveria ser nada grave.
Felícia se aproximou e entregou uma tigela de caldo quente para Afonso.
— Senhor Afonso, pode vir quando quiser. Considere esta casa como sua, não faça cerimônia. O senhor mora sozinho de qualquer jeito, cozinhar deve ser um transtorno. Venha para cá, que a Felícia prepara a comida do senhor.
O rosto de Afonso se iluminou.
— Se bem me lembro, vocês estão de mudança, não é?
A lembrança pareceu atingir Felícia de repente.
— Meu Deus, como fui esquecer disso! Ai, com a mudança, vai ficar muito fora de mão para o senhor nos visitar.
— De jeito nenhum — rebateu ele, tranquilamente. — Não é tão longe assim. É bem prático de carro.
— Que alívio! Então o senhor continua vindo sempre. Vou preparar pratos deliciosos.
Afonso desviou o olhar para Naiara.
— Incomoda você?
Naiara respondeu com naturalidade.
— Depois de um convite tão caloroso da Felícia, seria mesquinharia da minha parte dizer que incomoda.
A pessoa que vivia trancafiada ali, recusando-se a sair, caminhou para fora por conta própria.
Felícia ficou paralisada por um segundo antes de correr para ampará-la.
— Senhora, por que saiu da cama? Ainda está com fome? Se quiser, eu sirvo mais um prato.
Miriam não disse uma palavra. Caminhou diretamente até Afonso e sentou-se ao lado dele.
Virou o rosto e, sem aviso, estendeu a mão para tocar o rosto do homem.
Naiara levantou-se num salto para segurar a mão da mãe.
— Mãe... isso não é educado.
Afonso permaneceu sereno.
— Tudo bem, não tem problema.
Miriam acariciou a bochecha dele algumas vezes antes de murmurar um nome.
— Magnus.
Naiara sentiu um calafrio percorrer a espinha.
Instintivamente, sentiu que aquele nome tinha alguma conexão profunda com ela.
— Mãe... quem a senhora está chamando?
Miriam, de repente, abraçou Afonso.
— Magnus, por que você só voltou agora? Eu... a nossa filha nasceu. Ela é tão linda, mas...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...