— Foi a Zuleica quem a viu por acaso e me mandou uma mensagem.
Naiara fechou os olhos por um instante.
— Quem diria que seria a amante do Carlos a me salvar. Ah, o mundo dá voltas.
Ao abrir os olhos novamente, notou o ferimento nos lábios de Afonso.
— O que aconteceu com o seu lábio?
Afonso virou o rosto, visivelmente desconfortável, e tentou mudar de assunto.
— Está com fome? Quer comer alguma coisa?
A tentativa de desviar a atenção de Naiara, no entanto, não funcionou.
— Alguém bateu em você?
Teria ele se machucado para salvá-la? O homem sempre tão imponente e elegante agora parecia uma criança que havia feito algo errado, tão tenso que parecia querer fugir dali.
— Afonso?
Afonso pigarreou levemente. — Não foi nada.
— Você está agindo estranho. Não está se sentindo bem? — Dizendo isso, Naiara estendeu a mão, preocupada, e tocou de leve na bochecha dele. — Seu rosto está quente. Você está com febre?
Como se tivesse levado um choque, Afonso recuou quase instintivamente, evitando o toque. Só ele sabia o quanto aquelas mãos o haviam torturado momentos antes. Quase... Ainda bem que ele conseguiu se controlar a tempo. Caso contrário, ele nunca se perdoaria por ter se aproveitado da vulnerabilidade dela. No entanto, a sensação dos lábios dela contra os seus simplesmente não desaparecia da sua mente. Bastava lembrar da cena ardente dentro do carro para que Afonso ficasse ainda mais desconfortável. O seu único consolo era que Naiara não se lembrava de nada do que havia acontecido lá. Se ela se lembrasse, ele realmente não sabia dizer se a relação deles chegaria ao fim.
Para a sorte dele, o médico entrou no quarto, interrompendo a conversa. Senão, Afonso realmente não saberia como responder às perguntas de Naiara.
O médico trouxe boas notícias.
— Felizmente, a dosagem da droga não foi muito alta. Além disso, os exames mostram que o embrião está normal, então isso não deve causar nenhum problema ao bebê.
O peso esmagador que oprimia o peito de Naiara finalmente desapareceu. Ela agradeceu repetidamente.
— O desgraçado é osso duro de roer. Não abre a boca de jeito nenhum. Insiste em dizer que agiu sozinho, que era apenas uma tentativa de estupro. — respondeu Afonso, em tom grave.
Fábio praguejou em voz baixa.
— Porra, que método mais sujo! Se eu descobrir quem está por trás disso, vou picotar o infeliz e jogar pros cachorros.
— Um lixo desses nem os cachorros merecem comer. — retrucou Isadora. Em seguida, ela se voltou para Naiara, preocupada: — Você não foi...
Percebendo a gravidade da palavra, Isadora parou antes de completar a frase.
Naiara balançou a cabeça devagar.
— Não.
Sem nenhuma má intenção, Isadora comentou: — Tomar aquele tipo de droga e não ter como saciar a vontade deve ter sido uma tortura. Imagino o quanto você sofreu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...