Carlos apertou os punhos com tanta força que os ossos estalaram no silêncio da sala.
— Naiara, precisa mesmo ser assim? Por que não podemos terminar tudo de forma pacífica?
Naiara riu com desdém.
— Terminar de forma pacífica? A sua família pisou na minha dignidade como se eu fosse lixo, e agora você me pede uma separação amigável? Acha mesmo que vai sair barato assim?
Carlos trincou a mandíbula.
— Eu abro uma exceção. Se você retirar o processo, falarei com a minha avó e aumento a compensação do divórcio para um bilhão.
— Naiara, um bilhão é dinheiro suficiente para você gastar pelo resto da vida.
Ele tinha certeza de que a oferta a faria recuar.
Contudo, ela manteve uma expressão perfeitamente serena. Seus lábios bem desenhados curvaram-se em um arco de profundo escárnio antes de sussurrar:
— Não faço questão.
Carlos soltou um riso sarcástico.
— Você não faz questão de um bilhão? Naiara, você está tentando se fazer de difícil comigo? A família Jasmim já te abandonou. Se você sair da família Lucca, você ficará sem um tostão e não tem habilidade para nada. Como acha que vai sobreviver?
Naiara apoiou o queixo nas mãos, piscando seus grandes e úmidos olhos com uma ironia infantil.
— Como eu vou sobreviver? Ah, você descobrirá em breve.
Encarando aquele rosto delicado e provocador, Carlos não sabia mais se sentia raiva ou impotência.
Ele soltou um suspiro pesado, e sua voz assumiu um tom quase brando.
— Naiara, pare com essa loucura, por favor. Vamos seguir com o que combinamos. Assinamos o divórcio tranquilamente, e no futuro... eu prometo que trago você de volta para mim.
Os lábios macios de Naiara se abriram novamente.
— Não faço questão.
Carlos a fulminou com o olhar por um longo minuto.
Não havia mais o que fazer.
— Ótimo, então que seja assim!
Ele se levantou bruscamente, pronto para ir embora e bater a porta.
Foi então que Naiara curvou levemente os lábios.
— Mas... considerando o fato de que já fomos marido e mulher, não digo que não haja margem para negociação.
Carlos parou e olhou para trás, perplexo.
— Você está brincando com a minha cara.
Naiara sorriu, um sorriso indecifrável.
— Porque a Luciana jamais venderia para mim. Mas ela vai vender para você. Eu sei muito bem que vocês já estão negociando os valores. Assim que chegarem a um acordo, o contrato será assinado.
Carlos repassou a informação na mente até finalmente compreender.
— Você armou esse circo todo na Justiça... só para recuperar o Grupo Jasmim?
Naiara parou de rodeios.
— Exatamente. Eu quero o Grupo Jasmim.
Carlos soltou uma gargalhada repentina.
Mas era uma risada carregada de escárnio.
— Você se superestima demais. Você acha mesmo que, só com uma intimação judicial de divórcio, vai me obrigar a te entregar o Grupo Jasmim? Você não acha que está sonhando alto demais?
— Se estou sonhando acordada ou não, o tempo dirá. Por que a pressa em dar a última palavra, Senhor Carlos?
Aquelas duas palavras, "Senhor Carlos", proferidas com tanta frieza, deram um aperto inexplicável no coração dele.
A mulher sentada à sua frente ainda era a sua esposa.
Ela estava tão perto, mas parecia estar do outro lado de um abismo infinito.
Antes, quando ela rastejava por sua atenção, ele a achava um estorvo e desejava que sumisse da sua vista.
Agora que ela estava fria, distante e prestes a ir embora de verdade, por que... por que o peito dele doía tanto?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...