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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 238

Uma senhora de feições serenas e bondosas estava sentada em um banco de madeira. Sua expressão era plácida; à primeira vista, não parecia diferente de qualquer outra pessoa. No entanto, seus olhos eram vazios e sem vida, cravados em um ponto fixo no vazio. Apesar dos cabelos brancos e do rosto abatido pelas dificuldades, a aura de nobreza e elegância que emanava dela era inconfundível. Os traços marcantes e delicados deixavam claro que, na juventude, fora uma mulher de beleza estonteante.

A dona da casa olhou de Miriam para Naiara e não pôde conter o comentário.

— Vocês duas se parecem muito.

Aquela frase teve um efeito quase mágico, fazendo com que a mulher, que até então parecia uma estátua de pedra, virasse o rosto lentamente. Naiara aproximou-se com os olhos marejados. Abriu a boca e, com um esforço tremendo, forçou a voz a sair pela garganta apertada.

— Mãe.

Um brilho súbito cruzou o olhar da senhora. Seus olhos varreram o rosto de Naiara com minúcia, como se buscassem um tesouro perdido. Naiara segurou as mãos dela com emoção.

— Mãe, sou eu, a sua filha biológica. Eu sou a...

Não. O nome original dela não era Naiara. Naiara fora o nome que Luciana lhe dera. Quando foi separada de sua mãe, ela sequer tinha um nome próprio. Então, como a mãe saberia quem era Naiara?

O brilho nos olhos da senhora dissipou-se tão rápido quanto surgiu. Ela virou o rosto novamente para o vazio, retornando ao mais absoluto silêncio.

A dona da casa suspirou, tentando justificar a situação.

— Ela está aqui há dias e não disse uma única palavra. Além de comer e dormir, passa o dia todo sentada aí, olhando para o nada. Tentei levá-la lá fora para tomar um pouco de sol, mas ela se recusou de todas as formas.

Naiara finalmente entendeu por que o garotinho a chamara de "vovó muda".

No caminho de volta, Naiara sentou-se no banco de trás, ao lado de Miriam. Sem coragem de tocá-la, limitou-se a observá-la de perto. Afonso ligou o motor e o carro deslizou suavemente pelas estradas rústicas.

A viagem ocorreu em completo silêncio. Mas aquela quietude trouxe a Naiara uma paz que ela nunca havia experimentado antes. Talvez fosse a intuição do sangue, a conexão visceral que não a deixava duvidar por um segundo de que aquela mulher frágil, desprovida de memórias, era sua mãe biológica.

Os olhos eram idênticos. O nariz também. Até as sutis covinhas nas maçãs do rosto eram as mesmas. Aquela era a família pela qual ela esperara por vinte e oito anos. Se... se o seu pai também estivesse ali, seria perfeito.

Ao chegarem no apartamento, Naiara relatou tudo a Felícia. Com os olhos transbordando lágrimas, a governanta quis segurar as mãos de Miriam, mas conteve-se por medo de assustá-la.

— Senhorita — disse Felícia com a voz embargada —, deixe a patroa no meu quarto. Ela pode dormir comigo. Se acontecer qualquer coisa à noite, estarei logo ali para cuidar dela.

O apartamento possuía apenas dois quartos. Um para Naiara e outro para Felícia. Com a chegada da mãe, o espaço de repente ficou apertado.

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