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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 230

Luciana não perdeu a pose.

— Vou considerar que criei uma ingrata. Mas é até melhor que não me reconheça como mãe. Pelo menos me poupa de ouvir você apelar para o sentimentalismo na nossa conversinha de hoje.

Naiara estava sem paciência para joguinhos.

— Não vamos dar voltas. Coloque logo as cartas na mesa.

Luciana cruzou as pernas com elegância forçada. — Ótimo. É exatamente o que eu prefiro.

Naiara sentou-se na poltrona à frente, encarando-a.

— Se eu não estou enganada, você descobriu sobre o testamento do papai.

A máscara de Luciana caiu, revelando uma fúria brutal em suas feições.

— Eu não podia imaginar que o meu próprio marido seria capaz de me apunhalar pelas costas! Aquele velho desgraçado... Nem mesmo morto me deu paz! Como ele pôde deixar a maior parte do patrimônio para você?!

— Eu estava pronta para arrastar você até os tribunais. Mas veja como são as coisas... O destino sorriu para mim. Hahaha!

Ela explodiu em uma gargalhada histérica e triunfante.

— E pensar que eu acabaria descobrindo que aquela sua mãe de sangue continua viva!

— O Thiago também não passou de um canalha ingrato! Ele esqueceu de como a minha família injetou dinheiro quando ele estava fundando a empresa. Como ele teve a audácia de me trair desse jeito?!

Uma aversão visceral tomou conta de Naiara.

— Eu já perdi as contas de quantas vezes você jogou essa mesma ladainha na cara de todo mundo. Sim, a sua família o ajudou financeiramente no começo, mas será que todo o império da família Jasmim não foi construído porque o papai trabalhou dia e noite, derramando suor e sangue?

— Aquela ajudinha inicial ele pagou em dobro muito tempo atrás. Mesmo assim, você usou isso para fazer chantagem emocional e prendê-lo a vida inteira. Luciana, você não é apenas gananciosa. Você é repulsiva.

— Você não sabe de nada, sua pirralha! — rosnou Luciana. — Sem o dinheiro da minha família, o Thiago seria um zé-ninguém!

— E o que ele faz para retribuir? Esconde a sua mãe e a sustenta pelas minhas costas por mais de vinte anos!

— Ele forjou o atestado de óbito daquela vagabunda e me fez de idiota esse tempo todo!

— Mas Deus é justo! Ainda bem que eu descobri a verdade, senão eu morreria sendo a corna mansa e enganada!

Aproveitando a explosão colérica da vilã, Naiara lançou a isca: — Então a morte do meu pai não teve nada a ver com o que o Carlos disse. A verdade é que, quando ele voltou para o quarto, vocês tiveram uma discussão violenta por causa do testamento, não foi?

— Foi! — gritou Luciana, no calor da fúria.

Um silêncio sepulcral engoliu a sala.

Quando Luciana percebeu o que acabara de confessar, seu rosto empalideceu e depois ficou vermelho de cólera.

— Aquilo me deixou apavorada, e começamos a brigar.

— Ele perdeu o controle. Olhou na minha cara e disse que o testamento já estava pronto. Que, como forma de compensação, deixaria a maior parte da empresa nas suas mãos.

— Quando ouvi aquilo, o sangue subiu à cabeça. Fui tomada por um ódio cego e... dei um tapa no rosto dele. Quem poderia imaginar que um simples tapa iria...

Naiara sentia como se estivessem retalhando sua alma.

Não conseguia dimensionar a tristeza e o desespero que seu pai devia ter sentido em seus últimos minutos de vida.

Nesses últimos dias, ela realmente sentiu raiva das omissões dele.

Mas agora... todo o rancor havia se dissipado.

Fosse como fosse, ele havia sido um bom pai. Ele a havia criado com todo cuidado, transformando-a na mulher que era.

Ela jamais poderia fechar os olhos para a dívida de amor e gratidão que tinha por aquela criação.

Naiara simplesmente não conseguia entender.

Por que os céus pareciam proteger uma criminosa como Luciana?

Seu pai estava morto. Sua mãe biológica passara mais de duas décadas definhando nas sombras. E ela mesma vivera vinte e oito anos enredada em um circo de mentiras e tormento psicológico.

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