A diretora travou, e a amargura em seu rosto deu lugar à culpa.
— Sinto muito.
A mente de Naiara era um turbilhão caótico.
*Luciana!*
*Tinha que ser ela!*
Como aquela megera havia descoberto que sua mãe estava ali?!
E para onde a tinha levado...?
Será que sua mãe... ainda estava viva?
Naiara não ousava levar aquele pensamento adiante.
Ali mesmo, na frente da diretora, Naiara puxou o celular e discou o número de Luciana.
— Luciana, o que você fez com a minha mãe?!
Luciana não pareceu nem um pouco surpresa ao ouvir aquilo. Pelo contrário, seu tom era de total deboche.
— Não achei que descobriria tão rápido. Pode ficar tranquila, sua mãe está muito bem viva. Ainda não morreu.
Naiara engoliu em seco, fazendo um esforço colossal para não ceder ao desespero.
— Onde ela está?!
— Se quiser saber, venha até a Mansão Nº 1.
Cerrou os dentes. — Estou indo!
O carro devorou o asfalto da rodovia em alta velocidade, sem uma única pausa no trajeto.
Mas não era Naiara quem dirigia; Afonso estava ao volante.
No banco do passageiro, Naiara mal conseguia respirar direito.
*Sua mãe está viva.*
*Ela realmente está viva.*
*Graças a Deus.*
— Luciana não a levou sem propósito — ponderou Afonso. — Ela deve querer usar sua mãe como moeda de troca. Vai exigir algo de você.
Antes mesmo de entrar no carro, Naiara já suspeitava disso. Mas, de repente, uma dedução sombria se formou em sua mente, enviando um arrepio gélido por sua espinha.
— Afonso, acabei de me lembrar de um detalhe.
Ele mantinha os olhos concentrados na estrada. — O que foi?
— Algo que o Carlos me disse no dia em que veio me procurar.
— Hum?
— Ele disse: "Talvez o seu pai tenha sofrido algum outro tipo de estímulo forte quando voltou para o quarto, e foi isso que causou o infarto!"
As peças do quebra-cabeça começaram a se encaixar com clareza cristalina na mente de Naiara.
As páginas exibiam os últimos lançamentos em roupas, bolsas, sapatos e joias de altíssimo luxo.
Aquilo era o oxigênio de Luciana.
Sua vida se resumia a gastar dinheiro, ou estar a caminho de gastar mais.
O esbanjamento corria em suas veias.
Ao ver Naiara entrar, Luciana mal ergueu os olhos, fechando a revista com um gesto preguiçoso.
— Ouvi dizer que houve um deslizamento de terra lá pelos lados da Serra da Castanha. Achei que você não fosse conseguir voltar hoje.
O tom carregado de veneno e duplo sentido não afetou Naiara.
— Graças a você, minha pele é mais dura do que parece.
Luciana soltou uma risadinha anasalada e cínica.
— Mesmo se você não tivesse vindo atrás de mim, eu iria procurar você.
— Poupe-me das atuações. Diga logo: onde está a minha mãe?
Luciana começou a girar o bracelete de ouro maciço no pulso.
— Ficou cega, menina? A sua mãe sou eu. Não está me vendo?
O olhar de Naiara cortou o ar como gelo.
— Você acha que é digna desse título?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...