O olhar de Naiara encontrou o dele e, inexplicavelmente, vacilou por um instante.
Ela nunca o vira com aquele tipo de olhar.
Tão complexo que despertava uma vontade incontrolável de decifrá-lo.
Quando Naiara abriu a boca, sua voz saiu trêmula.
— Você... realmente tem algo te incomodando?
— Sim, tenho.
Naiara perguntou com cautela:
— É algo que... possa compartilhar?
Afonso deu um sorriso contido.
— O que me incomoda é justamente o fato de que não posso falar sobre isso.
Naiara levou um momento para processar a resposta.
— Entendi. Não vou mais perguntar.
— Eu...
Um tumulto repentino interrompeu a fala de Afonso.
Ele virou o rosto para olhar.
Era um hóspede importunando uma das camareiras da limpeza.
Naiara também lançou um olhar apático para a cena.
Mas esse simples olhar a fez paralisar.
— O que foi? — perguntou Afonso.
A mão de Naiara foi até o pescoço, puxando um pingente de jade que sempre usava por baixo da roupa.
O jade tinha um formato circular clássico, adornado com um delicado feixe de trigo incrustado em ouro.
Havia sido um presente de Thiago para ela, muitos anos atrás.
Como não parecia ter grande valor financeiro, Luciana nunca se importou com a joia.
Mas, para Naiara, era um verdadeiro tesouro que ela nunca tirava do pescoço.
Naquele instante, Naiara não pôde deixar de recordar as palavras de Thiago ao lhe entregar o colar.
Ele havia dito: *Naiara, o papai mandou fazer isso especialmente para você. Use sempre, ele vai te proteger e garantir que você tenha uma vida em paz. Não o perca.*
O pingente era belíssimo, e ela o adorou desde o primeiro momento.
— Pai, o design deste pingente é tão lindo.
— Foi o papai mesmo quem desenhou.
— E por que esse detalhe com ramos de trigo? — Naiara havia perguntado.
Thiago não respondeu. Apenas afagou o topo da cabeça da filha com ternura e disse:
— Naiara, só existem dois colares como este. Um eu estou dando a você. Quanto ao outro...
Ele não concluiu a frase.
Naturalmente, a primeira pessoa que veio à mente de Naiara foi Pedro.
Naiara foi direto ao ponto, soltando o nome:
— Miriam!
Como esperado, a mulher congelou no lugar.
— Você... Eu ainda tenho trabalho a fazer. Preciso ir.
Afonso esticou seu braço longo, bloqueando a passagem com elegância, mas firmeza.
— O valor desse jade gira em torno de sessenta mil reais. Para pessoas ricas, pode não ser muito, mas para a senhora...
— Ou a senhora nos conta a origem desse pingente...
— Ou eu chamo a polícia agora mesmo e deixamos que eles investiguem.
Ao ouvir a palavra polícia, as pernas da mulher fraquejaram.
— Não chame a polícia! Por favor, não chame! Eu conto tudo.
Os três caminharam até um canto isolado.
A mulher tirou o colar do pescoço e o abriu na palma da mão.
— Essa Miriam que vocês mencionaram... eu a conheço. Foi ela quem me deu este jade.
Naiara tentou controlar as batidas aceleradas de seu coração.
— A senhora era a cuidadora que acompanhava a Miriam, não é?
A ex-cuidadora assentiu.
— Eu cuidei da dona Miriam por uns sete ou oito anos. Ela nunca foi muito lúcida, mas também nunca fez mal a ninguém. No começo eu até tinha receio, mas com o convívio, percebi que ela era uma pessoa muito dócil. Apenas tinha a mente confusa. Não reconhecia rostos, não lembrava de ninguém.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...