— O principal motivo é que você tem estado muito tensa ultimamente, o que causou uma fadiga dupla, física e mental — disse ele.
— Deve ser isso mesmo — respondeu Naiara.
Assim que terminou de falar, seu estômago roncou alto.
Afonso deu uma risada suave.
— O seu corpo está protestando de novo. De agora em diante, não importa o que aconteça, coma quando for hora de comer e durma quando for hora de dormir. Porque, por mais que você castigue o seu corpo, isso não mudará o resultado já determinado de nada.
Naiara sorriu levemente.
— Já entendi, Prof. Afonso.
O café da manhã do hotel podia muito bem ser descrito como rudimentar.
Uma tigela de mingau de arroz, um ovo cozido, um pedaço de pão e um sachê de conserva.
Naiara olhou para o café da manhã e depois para Afonso.
Eita.
— Se não estiver acostumado com isso, podemos sair para comer? — sugeriu ela.
Afonso estava tentando abrir a embalagem da conserva.
— É simples, mas parece bem limpo. Uma dieta leve faz bem para a saúde.
Naiara viu que ele estava tentando abrir o pacote há um tempão sem sucesso, então estendeu a mão e o pegou.
— Deixa comigo.
Ao pegá-lo, ela instintivamente usou os dentes para rasgar a embalagem.
Quando levantou os olhos, Afonso estava olhando para ela, sorrindo.
Um sorriso cheio de indulgência.
Naiara achou que ele estivesse enojado e deu um sorriso constrangido.
— Desculpe, força do hábito. Vou abrir um novo para você.
Embora Naiara fosse a filha mais velha da família Jasmim, Luciana não a tratava como uma herdeira da alta sociedade; ela fora basicamente negligenciada e criada solta.
Na época da universidade, Naiara começou a trabalhar enquanto estudava, vivendo exatamente como uma estudante de origem humilde.
Por causa disso, seu modo de vida também se tornou mais solto e prático.
Mas, sem as inúmeras restrições das regras de uma família rica, Naiara viveu com bastante liberdade.
Afonso não se importou nem um pouco.
— O seu jeito é ótimo.
O sorriso de Naiara diminuiu.
— Você deve achar que eu não tenho a menor postura de uma moça de família rica, não é?
— O que há de errado em ser você mesma? Ninguém nunca ditou como uma moça de família rica tem que ser obrigatoriamente — respondeu Afonso.
— Talvez seja por isso que me sinto tão à vontade sempre que estou com você.
O olhar de Afonso pousou sobre as feições delicadas do rosto dela por alguns segundos.
— Você acha que estou triste?
Naiara tentou encontrar as palavras certas para não tornar a situação constrangedora.
— Não é bem isso... Talvez seja impressão minha. É que às vezes... parece que a sua mente está carregada de preocupações.
Afonso abaixou o olhar e não disse nada.
Ela havia acertado em cheio?
O clima de repente ficou um pouco esquisito.
Naiara começou a se arrepender. Será que não deveria ter tocado nesse assunto?
Para tentar aliviar o clima, ela continuou:
— Na verdade, eu estou pensando demais. Olhe para você: rico, bonito, poderoso e influente. E o mais importante, tem uma noiva linda e do mesmo nível social. Como você poderia ter alguma preocupação, não é mesmo?
Afonso ainda não respondeu.
Naiara mordeu os talheres, xingando-se mentalmente.
*Que raio de ideia foi essa de abrir a boca a essa hora da manhã?!*
Afonso largou os talheres. O olhar dele queimou sobre ela.
— Você tem razão, eu realmente estou carregando uma preocupação. E muito pesada. —

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...