A mão de Afonso pousou suavemente na nuca de Naiara e, com uma leve pressão, ele a puxou para um abraço.
O aroma familiar invadiu suas narinas, e aquela sensação indescritível de segurança funcionou como mãos mágicas, dissipando o pânico e a inquietação de seu coração.
As lágrimas de Naiara caíram sem parar sobre o caro sobretudo dele.
Às vezes, o choro silencioso é o que mais dói.
Aquela sensação de impotência em que se deseja apenas morrer é algo que só quem já viveu pode compreender.
Quando cansou de chorar, Naiara afastou-se do abraço de Afonso.
Limpou as próprias lágrimas e, com a voz rouca, perguntou:
— Como você chegou aqui?
Afonso esticou o braço, abriu o zíper da bolsa no chão e tirou uma peça de roupa.
Era um casaco de plumas leve.
— Tire a sua jaqueta e vista este.
Muito obediente, Naiara começou a tirar o casaco enquanto perguntava:
— Você viajou até aqui só para me trazer uma blusa de frio?
— A Isadora me disse que você estava usando roupas muito finas e estava com medo de que ficasse doente. Na verdade, estou aqui representando-a.
— Mas como você veio?
— De avião.
— Mesmo de avião, não poderia ser tão rápido. Eu liguei para a Isadora há pouco mais de duas horas.
— Eu fretei um voo.
Naiara arregalou os olhos.
— Você fretou um avião inteiro?
— Sim.
Pareceu que algo acariciou o coração de Naiara.
Era uma sensação calorosa.
Seria o efeito da roupa nova que acabara de vestir?
Uma atmosfera sutil e diferente começou a fluir naquele espaço confinado.
Tentando aliviar a tensão, Naiara decidiu brincar.
— Eu até achei que você iria aparecer pilotando um helicóptero para me resgatar, igual a um CEO implacável de romance.
Assim que as palavras saíram, a atmosfera pareceu ficar ainda mais estranha.
Felizmente, Afonso manteve sua postura calma e inabalável.
— Fretar um voo já foi o meu limite máximo.
Naiara soltou uma risada.
— Eu estava só brincando.
— Mas eu realmente tenho vários aviões — retrucou Afonso.
Naiara ficou de boca aberta.
— Você tem aviões? E vários, ainda por cima?
— Se perdeu, perdeu. Talvez o meu ciclo com ele tivesse chegado ao fim.
— Mas foi algo que a sua mãe deixou para você...
— Minha mãe não me culparia por isso.
— Me desculpe — Naiara estava consumida pela culpa. — Me dê mais um tempo, vou procurar de novo. Quem sabe não encontro daqui a alguns dias? Felícia diz que há um certo misticismo em encontrar coisas perdidas. Se eu realmente não achar, compro um idêntico para você.
Os olhos de Afonso eram gentis, sem o menor sinal de repreensão.
— Aquele relógio foi feito sob encomenda, era único. Não está à venda no mercado.
Naiara sentiu-se completamente derrotada.
Ai, ai.
Como ela pôde ser tão descuidada?
— Pronto, não precisa se preocupar com um assunto tão trivial. Não vale a pena — disse Afonso.
Naiara resmungou:
— Mas isso não é trivial, é algo enorme. Aquele relógio era muito importante para você.
Os lábios de Afonso se curvaram ligeiramente para cima.
— Há coisas muito mais importantes do que um relógio agora.
Naiara parou por um segundo.
— O quê?
— Me conte o que aconteceu na clínica de repouso — pediu Afonso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...