Queria fazer algo, mas sabia muito bem que não podia.
Algumas coisas, uma vez feitas, fariam com que seu coração perdesse completamente o controle.
Mas, ao ver as marcas avermelhadas de unhas na pele delicada da mão dela...
No fim, Afonso não conseguiu resistir.
Ele desfez o aperto das mãos dela e segurou gentilmente uma delas.
— Escute.
Naiara ergueu o rosto, com os olhos marejados.
Afonso pegou um lenço de papel e enxugou delicadamente as lágrimas do rosto dela.
— Você não teve culpa de nada, não se cobre assim. A vida é exatamente desse jeito, nunca será perfeita e sempre deixará arrependimentos. Assim como aconteceu comigo...
Um segredo guardado no fundo de seu coração, que ele nunca havia contado a ninguém.
Aquele dia era a primeira vez.
— Uma vez, eu tive uma briga feia com meu pai e saí de casa furioso. Minha mãe saiu para me procurar e foi atropelada. Desde aquele dia, ela nunca mais conseguiu caminhar normalmente com uma das pernas.
— Isso se tornou a maior culpa e dor da minha vida.
— Até o dia em que ela faleceu, eu ainda estava pedindo perdão.
— Mas ela me disse... que, felizmente, quem foi atropelada foi a mãe...
Naiara aos poucos se acalmou.
Pelo visto, cada família tem mesmo os seus próprios fardos.
Aquele jovem herdeiro aristocrático à sua frente tinha um olhar que transbordava uma dor e uma culpa indescritíveis.
Para consolá-la, ele não hesitou em arrancar os curativos de suas próprias cicatrizes...
Naiara colocou a outra mão suavemente sobre a dele.
— Tudo já passou, as coisas vão melhorar...
Um conforto com palavras escassas.
Como se estivesse consolando a ele, e também a si mesma.
Seus olhos se encontraram, como se dessem força um ao outro.
De repente, batidas na porta romperam o silêncio.
E também interromperam a atmosfera levemente ambígua que preenchia o ambiente.
As mãos que se seguravam se separaram no mesmo instante.
Isadora entrou e logo sentiu que havia algo diferente no ar.
— Naiara, você estava chorando de novo?
Naiara forçou um sorriso:
— Não.
Isadora sentou-se ao lado dela e a abraçou.
— Como não? Ainda dá para ver as marcas das lágrimas.
Naiara levantou a mão e enxugou o rosto.
— Imagina.
Até aquele momento, ela ainda não o tinha devolvido.
Ela lembrava de ter colocado o relógio no bolso do casaco.
O casaco...
Parecia que Felícia o havia levado para a lavanderia...
Naiara ficou um pouco nervosa.
Só esperava que Felícia tivesse guardado o relógio.
As duas amigas conversaram por cerca de meia hora, e Isadora atendeu a pelo menos uns quatro ou cinco telefonemas.
Sabendo que a amiga estava ocupada, Naiara insistiu para que ela voltasse ao trabalho.
Isadora não teve escolha a não ser ir.
Naiara olhou as horas e também se levantou para sair.
Ela ainda precisava ir à casa da família Jasmim buscar algumas coisas importantes.
Ao passar pela secretária novamente.
Naiara acenou com a cabeça em agradecimento.
A secretária levantou-se e entregou-lhe uma caixa com as duas mãos.
— Aqui dentro tem as tâmaras recheadas. O Sr. Afonso disse que você gosta muito e pediu para eu guardar tudo para a senhora.
Naiara olhou para aquela caixa enorme de tâmaras e quase riu.
Mas, acima de tudo, sentiu-se tocada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...