Entrar Via

Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 203

Queria fazer algo, mas sabia muito bem que não podia.

Algumas coisas, uma vez feitas, fariam com que seu coração perdesse completamente o controle.

Mas, ao ver as marcas avermelhadas de unhas na pele delicada da mão dela...

No fim, Afonso não conseguiu resistir.

Ele desfez o aperto das mãos dela e segurou gentilmente uma delas.

— Escute.

Naiara ergueu o rosto, com os olhos marejados.

Afonso pegou um lenço de papel e enxugou delicadamente as lágrimas do rosto dela.

— Você não teve culpa de nada, não se cobre assim. A vida é exatamente desse jeito, nunca será perfeita e sempre deixará arrependimentos. Assim como aconteceu comigo...

Um segredo guardado no fundo de seu coração, que ele nunca havia contado a ninguém.

Aquele dia era a primeira vez.

— Uma vez, eu tive uma briga feia com meu pai e saí de casa furioso. Minha mãe saiu para me procurar e foi atropelada. Desde aquele dia, ela nunca mais conseguiu caminhar normalmente com uma das pernas.

— Isso se tornou a maior culpa e dor da minha vida.

— Até o dia em que ela faleceu, eu ainda estava pedindo perdão.

— Mas ela me disse... que, felizmente, quem foi atropelada foi a mãe...

Naiara aos poucos se acalmou.

Pelo visto, cada família tem mesmo os seus próprios fardos.

Aquele jovem herdeiro aristocrático à sua frente tinha um olhar que transbordava uma dor e uma culpa indescritíveis.

Para consolá-la, ele não hesitou em arrancar os curativos de suas próprias cicatrizes...

Naiara colocou a outra mão suavemente sobre a dele.

— Tudo já passou, as coisas vão melhorar...

Um conforto com palavras escassas.

Como se estivesse consolando a ele, e também a si mesma.

Seus olhos se encontraram, como se dessem força um ao outro.

De repente, batidas na porta romperam o silêncio.

E também interromperam a atmosfera levemente ambígua que preenchia o ambiente.

As mãos que se seguravam se separaram no mesmo instante.

Isadora entrou e logo sentiu que havia algo diferente no ar.

— Naiara, você estava chorando de novo?

Naiara forçou um sorriso:

— Não.

Isadora sentou-se ao lado dela e a abraçou.

— Como não? Ainda dá para ver as marcas das lágrimas.

Naiara levantou a mão e enxugou o rosto.

— Imagina.

Até aquele momento, ela ainda não o tinha devolvido.

Ela lembrava de ter colocado o relógio no bolso do casaco.

O casaco...

Parecia que Felícia o havia levado para a lavanderia...

Naiara ficou um pouco nervosa.

Só esperava que Felícia tivesse guardado o relógio.

As duas amigas conversaram por cerca de meia hora, e Isadora atendeu a pelo menos uns quatro ou cinco telefonemas.

Sabendo que a amiga estava ocupada, Naiara insistiu para que ela voltasse ao trabalho.

Isadora não teve escolha a não ser ir.

Naiara olhou as horas e também se levantou para sair.

Ela ainda precisava ir à casa da família Jasmim buscar algumas coisas importantes.

Ao passar pela secretária novamente.

Naiara acenou com a cabeça em agradecimento.

A secretária levantou-se e entregou-lhe uma caixa com as duas mãos.

— Aqui dentro tem as tâmaras recheadas. O Sr. Afonso disse que você gosta muito e pediu para eu guardar tudo para a senhora.

Naiara olhou para aquela caixa enorme de tâmaras e quase riu.

Mas, acima de tudo, sentiu-se tocada.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê