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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 202

Todas as mágoas e humilhações do passado inundaram sua mente, cena por cena.

A morte de Thiago Jasmim havia sido a última gota d’água, o golpe que havia esmagado Naiara por completo.

— Eu não quero nenhum tipo de compensação, e também não aceito me divorciar de forma mansa e silenciosa. Eu quero que a família Lucca pague o preço que merece.

— Por isso, decidi que não farei um divórcio amigável com Carlos Lucca. Vou entrar com uma ação judicial e expor todas as sujeiras que a família Lucca cometeu.

— Quero que todos vejam o quão absurda é a família Lucca, de cima a baixo, e o quão perversas são Franciely e Karina.

Afonso observou Naiara em silêncio.

Ele viu a fúria nos olhos dela, leu a dor em seu coração e compreendeu toda a injustiça que a sufocava.

— Você já pensou nas consequências de fazer isso?

O rosto de Naiara estava repleto de determinação.

— Claro que já. Se declararmos guerra abertamente, a família Lucca não vai me deixar em paz, e a família Fontana também não. Eles farão o possível e o impossível para me destruir, até mesmo tentar tirar a minha vida.

— Mas e daí? Eu já perdi tudo. Acha que me importo com isso?

O olhar de Afonso pousou levemente no ventre dela.

— Como assim não tem nada? Você ainda tem o bebê, e tem a mim... a todos nós.

A mão de Naiara moveu-se lentamente para a própria barriga enquanto ela soltava um longo suspiro.

— Talvez eu não seja uma boa mãe...

Afonso permaneceu em silêncio por alguns segundos.

— Decidida?

— Sim, não vou mudar de ideia. — respondeu Naiara.

— Certo. Eu conheço um advogado excelente em casos de divórcio. Vou pedir para ele entrar em contato diretamente com você.

Naiara sentiu um leve desconforto no peito.

— Na verdade, eu não queria te incomodar com isso. Quando estava lá embaixo, pensei em dar meia-volta e ir embora várias vezes, mas...

Afonso abriu a lista de contatos no celular e fez a ligação ali mesmo, na frente de Naiara.

Ela não conseguia ouvir o que a pessoa do outro lado dizia.

Mas ouviu perfeitamente o que Afonso falava.

— Tenho um assunto e preciso da sua ajuda.

— Uma amiga minha quer entrar com um pedido de divórcio.

— Apenas uma boa amiga. Depois do divórcio, ela vai se juntar à minha empresa.

— Não diga esse tipo de coisa na frente dela. Se ela levar a sério, pode haver um mal-entendido.

— Certo, vou te enviar o número do celular dela, você entra em contato.

— Combinado, obrigado. Te pago uma bebida qualquer dia desses.

— Deu para notar, você parece ter gostado bastante.

— Talvez seja porque meu estômago está vazio. Não tenho comido direito nos últimos dois dias.

As sobrancelhas de Afonso se uniram em uma leve expressão de preocupação.

— Ainda se culpando pela partida do seu pai?

Tocar naquela ferida fez o coração de Naiara doer em pontadas agudas.

— Se eu não tivesse desligado o meu celular naquela noite, eu teria conseguido ver meu pai uma última vez.

Dizendo isso, as lágrimas caíram em um instante.

Havia coisas que não podiam ser ditas. Ao dizê-las, a dor rasgava a alma.

— Eu imagino que, na hora de partir, meu pai devia estar desesperado para me ver. Mesmo lutando para não dar o último suspiro, ele queria me ver uma última vez antes de ir.

— Mas eu...

As mãos de Naiara se apertaram firmemente, com as unhas de uma mão cravando-se na pele das costas da outra.

Talvez fosse a maneira dela de tentar suportar a dor dilacerante em seu interior.

Afonso sentiu um aperto repentino no peito.

Ele queria dizer algo, mas não sabia que palavras poderiam trazer algum conforto.

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