Afonso caminhou até a janela e atendeu. A voz de Naiara soou, ainda um pouco rouca.
— Afonso, está muito ocupado? Está na empresa?
— Mais ou menos. Estou na empresa, sim.
— Estou aqui embaixo. Queria subir para falar com você. Não sei se é um bom momento.
— Sem problema. Eu desço para te buscar.
— Não precisa se incomodar. É só avisar a segurança para liberar a minha entrada. Eu subo sozinha.
— Espere por mim.
Ao desligar e virar-se, viu que Vitória estava parada bem atrás dele.
— Quem você vai buscar?
Afonso franziu a testa, visivelmente irritado.
— Senhorita Vitória, ninguém nunca lhe ensinou que escutar a conversa dos outros é falta de educação?
Vitória não deu a mínima para a bronca.
— Só fiquei curiosa para saber com quem estava falando. A sua voz ficou muito mais suave com ela do que comigo. É a sua noiva?
Afonso lançou um olhar significativo para a recepcionista. A garota pegou o recado na hora.
— Senhorita Vitória, o senhor Afonso tem uma reunião agora. Por favor, me acompanhe.
Vitória fez biquinho e deu um passo na direção dele.
— Eu vou, mas só se me disser quando vamos nos ver de novo.
Afonso já estava perdendo a pouca paciência que lhe restava.
— Senhorita Vitória, já fui claro o suficiente. Sugiro que reflita sobre as suas atitudes. Além disso, se vier causar tumulto na minha empresa novamente, não me importarei que seja uma mulher e não terei mais cortesia.
Dito isso, saiu da sala sem olhar para trás.
Vitória ficou arrasada e cheia de rancor. Tinha custado tanto para conseguir vê-lo, e ele a expulsava antes mesmo de terem uma boa conversa. Ela olhou para a recepcionista, cheia de mágoa.
— O senhor Afonso de vocês é sempre esse gelo de pessoa?
A garota foi sincera.
— Claro que não. O senhor Afonso costuma ser muito acessível e é sempre ótimo com a nossa equipe.
Vitória ficou ainda mais irritada.
Naiara percebeu que Afonso era incrivelmente decidido quando não gostava de alguém. Ele não dava a mínima para o status da pessoa, nem se importava em manter as aparências só por ela ser mulher.
— Essa garota foi mimada a ponto de se achar o centro do mundo. Acredita que basta querer algo para conseguir. — comentou Naiara.
Dentro do elevador, a mão de Afonso continuava segurando a dela. Quando Naiara se deu conta da proximidade inadequada, apressou-se em soltar-se educadamente.
Afonso percebeu e desculpou-se, o tom suave.
— Perdoe-me. Agi por impulso. Tive medo de que ela te visse e te causasse problemas.
Naiara soltou um suspiro pesado.
— O fato de eu vir até a sua empresa hoje significa que já não me importo mais com isso. Afonso...
— Sim?
— Vim porque tenho algumas dúvidas. Queria ouvir a sua opinião.
— Claro. Vamos para a minha sala conversar com calma.
Os dois chegaram ao andar dele. Ao saírem do elevador, Afonso lembrou-se de algo.
— Quer passar para cumprimentar a Isadora? O departamento de tecnologia fica logo à direita.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...