Carlos observou a caligrafia elegante de Naiara e sentiu um aperto inexplicável e sufocante no peito.
— Sobre os quinhentos milhões da compensação, já falei com a minha avó e ela concordou.
— Ótimo — respondeu Naiara, com um tom neutro. — Então, transfiram para a minha conta o mais rápido possível.
— A minha avó disse que só vai pagar quando a certidão de divórcio sair no cartório.
— Tudo bem, sem problemas.
Carlos ficou em silêncio por alguns instantes.
— Você não parece nem um pouco triste.
Naiara teve vontade de rir, mas manteve a postura impecável.
Com a mesma tranquilidade distante, ela disse:
— Tristeza não precisa ser exibida no rosto. Ao contrário de certas pessoas, que acham que basta chorar para conseguir o que querem.
Carlos recolheu o acordo de divórcio.
— Assim que o César receber alta do hospital, nós iremos ao cartório assinar os papéis oficiais.
— Certo.
Carlos abriu a boca para dizer mais alguma coisa, mas as palavras simplesmente lhe faltaram. Ao olhar para o rosto sereno e quase glacial de Naiara, ele percebeu subitamente que ela estava cada vez mais longe dele. Tão longe que ele já não conseguia mais alcançá-la. Será que o divórcio era realmente a escolha certa?
Um longo silêncio pairou entre os dois, até que Naiara decidiu quebrá-lo.
— Isso significa que não preciso mais voltar para a casa da família Lucca e posso continuar morando na minha própria casa?
"Própria casa". Pronunciar aquelas palavras lhe trouxe um alívio imenso.
— Pode morar onde quiser, eu não vou te forçar a nada — respondeu ele.
A facilidade com que ele concordou deixou Naiara levemente desconfiada. Aquele definitivamente não era o Carlos arrogante e controlador que ela conhecia.
O rosto de Carlos escureceu na mesma hora. Ele era cliente frequente e VIP do Pavilhão Imperial. Sentar no salão aberto era uma ofensa ao seu orgulho.
O garçom tentava se explicar arduamente:
— Sinto muitíssimo, senhor, mas as nossas salas privativas precisam ser reservadas com vários dias de antecedência. Não temos nenhuma vaga para hoje, infelizmente.
Franciely, impaciente, ordenou:
— Carlos, resolva isso de uma vez. Os mais velhos não podem ficar esperando aqui de pé.
Carlos já estava prestes a explodir e gritar com o funcionário, quando Adriana se aproximou, exibindo um sorriso doce e conciliador.
— Por favor, poderia chamar o gerente? Ele já esteve na casa da família Lucca e conhece muito bem o Senhor Carlos.
O garçom, sem querer criar problemas, acenou e foi buscá-lo. O gerente apareceu rapidamente. Carlos ajeitou a postura, pronto para receber os pedidos de desculpas formais e as reverências que julgava merecer. Mas, para a surpresa geral, o gerente passou reto por ele e foi direto até Naiara.
— Senhorita Naiara! Eu não sabia que teríamos a imensa honra de recebê-la hoje. Peço mil desculpas pelo inconveniente. Já mandei os funcionários liberarem a nossa melhor sala VIP imediatamente. Por favor, aguarde só um pequeno instante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...