A situação parecia um autêntico e dramático clichê de flagrante de traição de novela.
Quando Felícia ouviu a campainha e espiou pelo olho mágico, viu que era Carlos. Esquecendo a própria idade, ela correu mais rápido do que nunca.
Felícia sabia muito bem que, se Carlos visse um homem no apartamento de Naiara no meio da madrugada, seria um mal-entendido impossível de explicar.
Embora Naiara fosse adepta do lema "quem não deve, não teme", naquele momento, evitar dores de cabeça era a melhor escolha.
Mas o imponente Sr. Afonso não podia simplesmente se esconder em um armário como um amante pego no pulo.
Naiara olhou para Afonso, visivelmente constrangida.
Afonso, sem perder a calma, perguntou em um tom suave:
— Qual seria o lugar mais seguro?
O apartamento tinha um conceito aberto. Uma rápida passada de olhos e via-se quase tudo.
Esconder alguém ali seria um desafio.
— Na cozinha — respondeu Naiara, assertiva.
Como Carlos detestava o cheiro de fritura e fumaça, e era do tipo que nunca havia lavado um copo na vida, ele jamais pisava na cozinha.
Felícia guiou Afonso até lá e fechou a porta com cuidado.
Assim que a porta da frente se abriu, Carlos entrou com o rosto fechado.
— Por que demorou tanto para abrir a porta?
Felícia manteve a compostura.
— Jovem mestre, o senhor já olhou que horas são? É madrugada, está todo mundo dormindo!
Carlos exalava um forte cheiro de álcool.
— Faça um café bem forte para curar essa ressaca. Vou tomar um banho.
Ele já ia caminhando em direção ao quarto quando Felícia rapidamente se colocou no caminho.
— Jovem mestre, a senhora passou mal, já está dormindo. Por favor, não a incomode agora.
O olhar de Carlos ficou gélido.
— Felícia, você por acaso esqueceu que eu também sou o dono deste lugar?
Sem paciência, a governanta rebateu:
— A dona deste apartamento já é a jovem senhora. Se o senhor entrar assim, pode muito bem ser considerado invasão de domicílio.
Carlos soltou uma risada seca.
— Tenho notado que o seu jeito de falar está cada vez mais parecido com o dela. Tal patroa, tal empregada.
— Ainda bem que pareço com ela. Se parecesse com o senhor, eu morreria de vergonha — retrucou Felícia.
— Era verdade. Então, você veio trazer o dinheiro? — respondeu ela, inabalável.
— A empresa está com problemas — confessou Carlos, sombrio.
Naiara permaneceu em silêncio.
Ela sequer precisava perguntar o que havia acontecido. Porque havia sido obra dela.
— Os dados principais de treinamento do nosso novo modelo de Inteligência Artificial para o setor aeroespacial desapareceram — continuou ele. — A equipe técnica tentou restaurar tudo, mas falharam. Até os melhores programadores da empresa estão de mãos atadas. Pelo visto, o lançamento dessa IA agora é quase impossível.
Naiara não moveu um músculo da face.
Carlos acendeu um cigarro, deu duas tragadas profundas. Seu rosto estava coberto de exaustão.
Naiara demonstrou desgosto.
— Não gosto de cheiro de cigarro. Apague isso.
Para a surpresa dela, Carlos realmente apagou o cigarro.
Uma obediência tão rara que chegava a ser suspeita.
— O plano era que, com o lançamento dessa IA, a Tecnologia Vitalis se tornaria a líder absoluta do setor. Mas agora...
Agora o plano havia ido por água abaixo.
E, pior ainda, alguém estava com a faca no pescoço dele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...