Naiara foi levada primeiro para o setor de ginecologia e obstetrícia.
Do lado de fora da sala de exames, Afonso andava de um lado para o outro, atormentado.
José não sabia se deveria tentar confortá-lo.
— Jovem mestre...
Afonso estava sendo devorado pela culpa.
— Ela se machucou para me proteger. Se acontecer alguma coisa com o bebê, eu nunca vou me perdoar.
José tentou oferecer um consolo mecânico:
— A Srta. Naiara é uma pessoa tão boa, com certeza os céus vão protegê-la. Não vai acontecer nada.
Afonso soltou um riso amargo e baixo.
— Os céus? Foi exatamente isso que você disse antes da minha mãe morrer.
José não ousou pronunciar mais nenhuma palavra.
O estado em que Afonso se encontrava naquele momento o tornava inalcançável.
A porta da sala de exames se abriu de supetão.
Afonso correu até lá.
José, por outro lado, ficou plantado no mesmo lugar.
Ele mal podia acreditar. Aquele homem desesperado e em pânico era mesmo o seu jovem mestre, sempre tão sereno, elegante e inabalável?
O médico não poupou críticas contundentes:
— Se ela está grávida, como vocês permitem que ela faça atividades físicas tão intensas? Cadê o bom senso? Que tipo de marido é você?
Afonso ignorou completamente o mal-entendido do médico.
— Como ela está? E o bebê?
— Graças a Deus, foi apenas um pequeno sangramento. O feto está seguro por enquanto, mas ela não pode fazer nenhum tipo de esforço agora. Precisa ficar de repouso absoluto na cama por três dias.
O médico continuou dando instruções severas enquanto prescrevia os medicamentos.
— Não se esqueça da medicação. E é fundamental que alguém fique cuidando dela, não a deixe sozinha. Se houver alguma emergência e ela não for atendida a tempo, há um grande risco de perder a criança.
A voz de Naiara soou de trás da cortina:
— Doutor, não tem como evitar esse repouso? Pode ser meio complicado para mim.
O médico se irritou instantaneamente.
— Por mais ocupada que esteja, você precisa descansar! A menos que não queira mais essa criança. Você vai ser mãe, como pode ser tão imprudente? Você...
— Doutor — interrompeu Afonso. — A culpa foi minha, não dela. Fique tranquilo, ela vai descansar como o senhor recomendou.
Satisfeito com a resposta, o médico assentiu.
— Agora sim, você está agindo como um pai de verdade.
Afonso parou no meio do caminho e ordenou a José:
— Coloque o capuz nela.
José captou a mensagem no ar e, com todo o cuidado, puxou o capuz do casaco para cobrir a cabeça de Naiara, certificando-se de ajeitar também a sua máscara.
Naiara ficou tão coberta que mal conseguia enxergar um palmo à frente do nariz.
Se não estivesse com medo de rir e piorar a dor no ombro, teria caído na gargalhada.
Aqueles dois não passavam tanto tempo juntos à toa.
Eram farinha do mesmo saco.
Quando o ortopedista viu Naiara sendo carregada para dentro do consultório, achou que o ferimento fosse na perna e já ia examiná-la.
— É no ombro — corrigiu Naiara, sem graça.
O médico apalpou e examinou a área, fazendo uma avaliação inicial.
— Não parece haver nenhum dano grave. Mas, se quiser ter certeza de que não houve nenhuma fratura, podemos fazer um raio-x.
Afonso advertiu prontamente:
— Ela está grávida.
Ele é mais cauteloso do que eu, que sou a mãe, pensou Naiara.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...