Franciely, no entanto, devolveu a pergunta:
— Quanto você quer?
Naiara caminhou sem pressa até a poltrona, bateu os dedos no estofado para espanar uma poeira invisível e sentou-se lentamente.
Franciely sentiu o sangue ferver ao vê-la tão desprovida de pressa, com aquela postura quase preguiçosa.
— Vá direto ao ponto, não quero perder meu tempo!
Naiara sorriu de leve, sem se alterar.
— Vir até aqui também foi um grande desperdício do meu precioso tempo.
— Naiara!
Franciely quase perdeu as estribeiras.
Mas, após um instante, forçou-se a recuperar a compostura. Aquela mulher era astuta, não podia cair no jogo dela!
Franciely respirou fundo, retomando sua postura imponente.
— Diga um valor exato. Se eu achar razoável, transferirei a quantia integral para a sua conta. Mas, antes disso, você terá que assinar um contrato comigo.
— Um acordo de confidencialidade? — indagou Naiara. — Para garantir que eu não espalhe os escândalos da família Lucca por aí?
— Que bom que você entende.
— Ok, sem problemas.
— Então diga o seu preço.
Naiara fingiu ponderar por um momento.
— Sabe como é... Eu sou uma pessoa um pouco gananciosa, meus olhos brilham quando vejo dinheiro. Então, é difícil dar o primeiro passo. Tenho medo de pedir muito e a senhora achar que estou sendo abusiva.
Engolindo a irritação, Franciely respondeu:
— Não vou. Se eu a chamei aqui, é porque quero resolver essa situação.
Naiara abriu um sorriso enigmático.
— Sendo assim, não serei modesta.
Franciely soltou um som de desdém pelo nariz:
— Hum.
Naiara ergueu a mão, mostrando cinco dedos.
Franciely suspirou, aliviada.
— Certo. Cinco milhões, que seja. Sem problemas.
Naiara ergueu apenas o dedo indicador e o balançou em negativa.
Franciely franziu o cenho.
— Cinco bilhões ainda é lucro para vocês.
Era o que Naiara pensava. Se Franciely estivesse disposta a pagar os cinco bilhões, ela consideraria aquilo um "preço de amiga", repassando o modelo de Inteligência Artificial para Carlos. Assim, ao menos, evitaria o papel de vilã da história. Afinal, se aquele modelo chegasse ao mercado, os lucros da Tecnologias Vitalis ultrapassariam, e muito, a marca dos cinco bilhões.
Mas, obviamente, Franciely não entendeu as entrelinhas. O desprezo estava estampado em cada traço de seu rosto enrugado.
— Você acha que é algum tesouro raro para valer cinco bilhões? E mais, você está casada com a nossa família Lucca há três anos e não foi capaz sequer de parir um herdeiro. Acha mesmo que é digna dessa quantia?
Longe de se ofender, Naiara riu.
— A filhinha da família Fontana já não pariu um herdeiro para a família Lucca? Ainda precisam de mim?
Franciely estreitou os olhos, levando um bom tempo para processar o golpe.
— Naiara, eu estava sendo sincera na minha tentativa de negociar com você.
Naiara continuou recostada, brincando distraidamente com os próprios dedos.
— Eu também estou sendo perfeitamente sincera. Assim que os cinco bilhões caírem na conta, eu sumo daqui na mesma hora.
Franciely percebeu que a conversa não tinha futuro.
— Pelo visto, não temos acordo.
Com indiferença, Naiara retrucou:
— Já que a senhora não tem a menor intenção de pagar, não desperdice o meu tempo. Até a minha cunhada sabe que, para pescar um peixe grande, é preciso arriscar a isca. Pelo visto, a senhora tem menos coragem que ela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...