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Ele Me Traiu… ou Eu Enlouqueci? romance Capítulo 329

O Gabriel dirigia, observando o banco do passageiro pelo canto do olho.

O Henrique estava encostado no banco de olhos fechados, a respiração um pouco pesada e o cenho franzido o tempo todo.

— Tomou o remédio?

— Tomei. — O Henrique cuspiu as palavras brevemente.

— É melhor você não ter febre de novo. O clima úmido e abafado da Cidade L não faz bem para o seu pulmão.

O Henrique ajustou a postura:

— Do meu corpo, eu cuido.

— Que bom que você sabe. — O Gabriel girou o volante. — Se você morrer mesmo na Cidade L, o Eloy vai ficar muito triste, e a Isabela vai ficar muito perturbada.

O Henrique finalmente virou a cabeça e olhou para o Gabriel:

— Você mentiu.

— Sobre o quê?

— Na porta da creche. Você me induziu de propósito a pensar que vocês já eram casados.

O Gabriel sorriu com naturalidade:

— Sim, eu menti. O Henrique vai me prender?

Ele pisou no freio diante do sinal vermelho e sustentou o olhar do Henrique.

— Eu usei a sua culpa e usei o seu recuo. O método não foi nobre, foi até um pouco desprezível. Mas, se tivesse que fazer de novo, eu faria.

Ele nunca se arrependeu de ter mentido para a Isabela e para o Henrique.

O Henrique apertou os lábios.

— Pelo contrário, Henrique, você já disse alguma verdade para a Isabela? — O Gabriel recolheu o sorriso. — Mãe e filho foram abandonados por você.

— Eu não abandonei. — O Henrique retrucou. — Eu só...

— Só se acostumou a escolher os outros. — O Gabriel o interrompeu. — Eu não entendo esse seu senso de sacrifício distorcido. Mas você cuidou da Teresa e entregou o sofrimento para a Isabela.

O sinal verde acendeu; o carro de trás buzinou.

O Gabriel arrancou novamente com o carro, sem olhar mais para a pessoa ao lado.

O Henrique não conseguiu responder.

Porque o André tinha dito a mesma coisa, e a Isabela também.

Todos enxergavam a sua patologia; só ele estava preso nela, sem conseguir sair.

Quando estavam chegando ao destino, o Gabriel mudou de assunto repentinamente.

— Vou ficar em Nuvália por quinze dias. Essa é a sua única chance. — Ele falou num ritmo calmo. — Você pode ficar à vontade na Cidade L, pode tentar reconquistar. Mas eu aposto que você não ganha.

O Henrique fechou os olhos novamente.

Não ganha?

Ele repetiu aquelas palavras em voz baixa e, de repente, sentiu um gosto amargo na boca.

Amor e ódio têm a mesma origem.

A Isabela odiava o Henrique com todas as forças; cada vez que ela perdia o controle emocional, era por causa dele.

O ódio, em si, é uma forma de conexão.

Já para ele, era sempre um cortês "obrigada", um grato "foi trabalhoso para você", um suave "desculpe o incômodo".

Respeito mútuo, tratamento exemplar.

Isso deveria ser o melhor estado de um casamento.

Mas, quando se trata de sentimentos, talvez não seja suficiente para cozinhar aquela coisa chamada "amor".

Nessa aposta, ele realmente não tinha certeza se estava em vantagem.

...

A Cidade L, noite adentro, finalmente dissipava o calor do dia.

A Wilma terminou a limpeza e perguntou, hesitante, se a Isabela queria deixar a porta destrancada.

A Isabela negou com a cabeça:

— Pode trancar.

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