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Ele Me Traiu… ou Eu Enlouqueci? romance Capítulo 328

— Não dói. — Ele respondeu em voz baixa.

Assim que os pés do Eloy tocaram o chão, ele correu com suas perninhas curtas em direção à Isabela e abraçou a perna dela:

— Mamãe, eu trouxe o tio para baixo.

A Isabela baixou os olhos, encarando os olhos pretos e límpidos do filho.

Mesmo que todos já soubessem a verdade, o Eloy continuava chamando-o de "tio", sem saber exatamente para preservar a dignidade de quem.

A Isabela afagou a cabeça dele:

— Bom menino, vá se sentar.

O Henrique estava no último degrau da escada, olhando de uma distância de alguns metros. Seu olhar parou no rosto da Isabela por um instante, antes de se recolher de forma contida.

— Eu já vou. — Disse ele.

A Isabela virou-se para servir a sopa, sem olhar para trás:

— O portão não está trancado, é só empurrar.

O Gabriel, que estivera em silêncio ao lado, pegou a chave do carro.

— Que coincidência, eu também já vou.

A Isabela perguntou:

— Você não vai jantar?

O Gabriel negou com a cabeça:

— A Ruana me mandou mensagem, ela e o André já estão me esperando no aeroporto.

Ele olhou para o Henrique:

— O seu carro deve ter ficado na porta da creche, não é? Se não se importar, vá comigo. Eu te deixo lá, é caminho.

A Isabela franziu a testa:

— Não precisa. A Davia está à toa, deixa que ela leva.

A Davia, que ainda massageava a lombar, ia colocar a cabeça para fora e dizer "eu posso", mas foi contida por um olhar do Gabriel.

— Não se incomode, é caminho mesmo. — Disse o Gabriel suavemente para a Isabela, com um olhar que varreu o Henrique de forma sutil. — Além disso, sobre o estado dele no hospital nestes dias, eu queria passar algumas orientações no caminho. É mais fácil um médico explicar.

A Isabela apertou os lábios e não insistiu mais:

— Então, vá com cuidado.

— Hm. — O Gabriel olhou nos olhos dela, sem evitar o assunto por causa da presença do Henrique. — Este fórum vai durar quinze dias. Somando com algumas transições de trabalho no hospital, talvez eu só volte para a Cidade L daqui a quinze dias.

A Isabela entendeu o que ele queria dizer.

O Gabriel inclinou-se levemente, nivelando o olhar com o da Isabela.

— Isabela, nestes quinze dias, pense com carinho. Quando eu voltar, espero ouvir a resposta.

O Eloy aproximou-se e, num sussurro rápido que só os dois podiam ouvir, disse:

— Você tem que se esforçar, viu?

O Henrique ficou agachado ali, completamente atordoado.

Antes que ele pudesse reagir, o Eloy recuou dois passos, fechou a cara e mudou para um tom oficial:

— Senhor policial, obrigado por me ajudar a assustar os garotos maus hoje! Até a próxima!

Depois de gritar isso, ele correu de volta para a sala de jantar sem olhar para trás e mergulhou nos braços da Isabela, recusando-se a olhar para fora novamente.

O Henrique manteve aquela postura agachada por vários segundos antes de se levantar lentamente.

E se não houvesse uma próxima vez?

Ele não ousou pensar nisso.

O Gabriel entrou no carro e baixou o vidro:

— Entra.

O carro logo deixou a Avenida da Ilha.

A Isabela sentou-se na sala de jantar, olhando para o pátio lá fora através da porta de vidro.

O Henrique tinha ido embora, o Gabriel tinha ido trabalhar; a vida voltaria àquela órbita tranquila onde só existiam ela e o Eloy.

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