O vento no terraço não dava sinais de trégua. O Gabriel permaneceu ali, com o olhar pousado no perfil da Isabela, parcialmente escondido pelos cabelos revoltos.
Naquela época, a luz do sol atravessava as persianas da biblioteca da Universidade de Santa Aurora, imprimindo faixas de luz no rosto dela. Ele estava sentado à frente; a cada página virada no livro, seu olhar repousava nela por mais uma página.
Ele sempre pensava em esperar um pouco mais, esperar que ela o visse. Mas as pessoas muito regradas, muitas vezes, nem conseguem o bilhete de entrada.
O Gabriel olhava para a Isabela com o fundo dos olhos transbordando de arrependimento.
Se ele tivesse entregado aquele lenço de papel, se tivesse se declarado antes do Henrique aparecer... será que tudo teria sido diferente?
Será que ela não teria sofrido tanto?
A Isabela ouvia aquela confissão atrasada em oito anos com um misto de sentimentos.
Antigamente, quando o Gabriel dizia que a via sempre na universidade, ela achava que era coincidência. Nunca soube que, enquanto corria com o coração cheio atrás do Henrique, havia aquele olhar em suas costas.
— Desculpa... eu não sabia...
— Não peça desculpas — o Gabriel levantou a mão, interrompendo-a. — Eu te conto isso não para que se sinta culpada, e muito menos para usar o passado para te prender. Só quero que saiba que o meu sentimento por você não é menor que o do Henrique, e nem chegou mais tarde que o dele.
Ele deu um sorriso amargo, apoiando as palmas das mãos na grade:
— Eu perdi para ele, não foi pelo tempo, nem pela profundidade do sentimento. Foi simplesmente porque... eu não fui "mau" o suficiente.
Não foi rebelde o suficiente, não foi ousado o suficiente.
Ele não suportava ver a Isabela sentir dor, não suportava vê-la chorar, e muito menos suportava usar meios coercitivos para forçá-la a tomar uma decisão.
Por isso, ele só podia ficar dentro da linha de segurança, vendo-a se atirar como uma mariposa ao fogo por outra pessoa, vez após vez.
— Isabela, no amor não existe quem chegou primeiro, só existe o querer ou não querer.
— Mas eu ainda quero perguntar uma coisa — ele olhou nos olhos dela. — Se naquela época eu não tivesse hesitado...
— Você teria me dado uma chance?
A Isabela pensou seriamente por um instante, olhou para o céu e respondeu:
— Mas agora tenho vinte e nove anos. Depois da virada do ano, no meu próximo aniversário, farei trinta.
— Já me divorciei uma vez, já sangrei, tive o Eloy e vi o quão sombrio o coração humano pode ser.
O coração do Gabriel falhou uma batida.
A Isabela diante dele continuava linda, continuava resiliente, mas naqueles olhos já não existia mais aquela imprudência dos vinte anos.
Os dedos dele, ao lado do corpo, se contraíram, e ele perguntou, tateando:
— Então...?
— Então, eu estou realmente considerando — a Isabela olhou direto nos olhos dele, sem se esquivar. — Não para irritar o Henrique, nem por gratidão. Eu realmente acho que, se o resto da minha vida for com você, eu e o Eloy viveremos muito bem.
Sem a Teresa assombrando como um fantasma, sem o telefone da emergência tocando a qualquer momento, sem o corpo cheio de cicatrizes e sem o medo de acidentes imprevisíveis.
Sem precisar se preocupar se o marido vai se sacrificar por outra pessoa, sem se preocupar se o filho será apontado na escola.

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