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Ele Me Traiu… ou Eu Enlouqueci? romance Capítulo 340

— Claro que não é só isso.

Teresa recostou-se no sofá, o olhar ficando um pouco distante.

— Depois que vocês se casaram, eu fui a um bar com umas pessoas e quis chamá-lo para me buscar. Liguei para ele, e ele disse que estava ocupado, que eu voltasse sozinha.

O coração de Isabela deu um salto forte. Ela já conseguia adivinhar o que aconteceu depois.

— E então?

— Então, fui arrastada para um camarote.

Teresa falava com calma:

— Na verdade, isso nem é grande coisa, mas como não é algo honroso e minha saúde também não é boa, com aquela confusão toda, fiquei mais meio mês no hospital e ainda fui mandada para o exterior.

— Isabela, você sabe onde ele estava naquela noite? Ele estava com você.

— Por estar com você, ele desligou minha ligação. Fui eu que te dei uma noite de paz em troca.

Isabela só então entendeu por que Teresa tinha ido para o exterior tão repentinamente. E por que, quando ela voltou, Henrique não lhe disse nada.

— Você quer dizer que eu te prejudiquei?

— Não, foi o Henrique que me prejudicou. — Teresa balançou a cabeça. — Mas ele tinha medo que você se culpasse, por isso nunca teve coragem de mencionar. Se não fosse para ficar com você, ele teria vindo me buscar e nada teria acontecido comigo. Isabela, foi você quem ocupou o tempo dele e causou a minha desgraça.

Isabela refutou:

— Essa foi uma escolha sua, e a culpa é do agressor. Não tem nada a ver com o Henrique, e muito menos comigo.

Teresa riu:

— A lógica é essa, mas a consciência não. Isabela, você ainda não entendeu? Enquanto ele estiver ao seu lado, cada vez que ele for bom para você, cada vez que você sorrir para ele, ele vai se lembrar de mim.

— O amor dele é culpado.

Teresa encarou Isabela, pronunciando cada palavra:

— Enquanto eu existir, ele nunca poderá te amar com a consciência tranquila.

— Isabela, você é luz, brilha demais. Ele ficou muito tempo no esgoto, não suporta a luz.

Ao ouvir isso, o peito de Isabela foi se apertando até faltar o ar.

Ela sempre achou que o que Henrique sentia por Teresa era um afeto de infância, uma preferência, algum tipo de ambiguidade difícil de explicar.

Aquele era o pesadelo de Henrique, a prisão dele.

Por isso ele não falava.

Isabela apoiou-se no braço do sofá para se levantar. Suas pernas estavam fracas, quase não se manteve em pé.

Só conseguia sentir que a pessoa à sua frente era lamentável e aterrorizante.

— Usar esse método para amarrá-lo ao seu lado, vendo-o sofrer todos os dias... você se sente bem com isso?

— Me sinto ótima.

Teresa ergueu a cabeça, uma lágrima escorreu pelo canto do olho, mas seu rosto exibia um sorriso vitorioso.

— Pelo menos ele não pertence a mais ninguém. Nesta vida, ele não vai a lugar nenhum além do meu lado.

— Mesmo que seja um ódio mútuo?

Teresa assentiu:

— Mesmo que seja um ódio mútuo.

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