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Ele Me Traiu… ou Eu Enlouqueci? romance Capítulo 344

Ela sabia que o Henrique tinha sido forçado, que não teve escolha.

Mas isso não podia anular os cinco anos de sofrimento que ela passou, nem apagar a falta que a figura paterna fez ao Eloy.

O mais triste era que a verdade fazia com que ela nem conseguisse odiá-lo puramente.

O Henrique estava cercado de demônios.

Ele lutou sozinho naquele ambiente, debatendo-se por tantos anos, e ainda assim não quis deixar que nem uma gota daquela sujeira respingasse nela.

— Gabriel — chamou ela.

— Hm, estou aqui.

— Se... se há muitos anos, alguém jogasse um balde de água suja em você, e todos achassem que você está sujo, e até você mesmo se sentisse sujo... O que você faria?

O Gabriel ficou em silêncio por um momento.

— Eu trocaria de roupa — disse ele. — Jogaria as roupas sujas fora, tomaria um banho e sairia limpo de novo.

— E se a sujeira tivesse penetrado nos ossos? Não dá para lavar, nem para tirar.

— Isabela — a voz do Gabriel ficou mais grave, com uma seriedade rara. — Não existe nada que não possa ser limpo. A menos que a pessoa não queira se limpar, ou... que alguém esteja segurando a cabeça dela, impedindo-a de se lavar.

Essa era a lógica de uma pessoa normal: conter os danos e recomeçar.

A Isabela baixou a cabeça e contou tudo o que a Teresa havia lhe dito.

Falou devagar, com um tom calmo. Quando terminou, um silêncio mortal caiu sobre o terraço.

Passou-se muito tempo até que o Gabriel olhasse para o céu cinzento ao longe e soltasse um riso leve.

— Eu sabia.

Seu olhar pousou no rosto da Isabela:

— Você voltou para Nuvália, mas não foi para me ver.

O Gabriel ajudou a colocar o cabelo dela, que o vento havia bagunçado, atrás da orelha. O gesto continuava gentil.

— Isabela, na verdade, você não precisa se forçar tanto. Embora eu sempre diga que tenho todo o tempo do mundo para esperar, eu prefiro que você seja feliz.

Ela só se recordava de que naquele dia fazia um calor infernal e ela estava com pressa para chegar ao dormitório e pegar uma cama boa; não lembrava de absolutamente ninguém ao redor.

Definitivamente, não foi um primeiro encontro romântico.

— Depois, te vi muitas vezes na biblioteca, no refeitório, no campo de esportes. Até que, no seu terceiro ano, você sentou na minha frente, debruçada na mesa dormindo, e acabou babando no livro.

O rosto da Isabela esquentou, sentindo-se um pouco envergonhada.

— Naquela hora eu pensei: quando você acordasse, eu te ofereceria um lenço de papel e aproveitaria para perguntar se poderíamos nos conhecer — o Gabriel curvou o canto dos lábios. — Mas eu hesitei demais. Pensei que precisava terminar aquele capítulo, pensei em qual seria a melhor frase para começar, pensei que não podia ser muito invasivo, pensei se deveria ir comprar uma água antes...

Ele era alguém acostumado a ponderar profundamente, a só agir quando tinha certeza, quando tudo estava garantido.

— O resultado foi que, quando voltei já com tudo planejado na cabeça e quis ir falar com você, você já estava correndo atrás do Henrique.

Foi apenas o tempo de baixar a cabeça e virar uma página.

Aquela garota que parecia um pequeno sol mergulhou de cabeça na tempestade de outra pessoa.

Sem precisar de frase de efeito, sem precisar de qualquer preparação. Aquele guarda de trânsito invadiu o mundo dela de forma direta e roubou toda a sua atenção.

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