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Ele Me Traiu… ou Eu Enlouqueci? romance Capítulo 330

O Eloy já dormia profundamente.

Hoje ele estava de bom humor, comeu até uma tigela a mais de arroz.

O rostinho adormecido não mostrava tantas preocupações, e os cantos da boca estavam levemente curvados; provavelmente sonhava que aquele "papai policial" realmente tinha afugentado os monstros.

Ela fechou a porta e foi para o terraço. A Davia, como esperado, estava lá.

Havia duas latas de cerveja ao alcance da mão. Ouvindo o movimento, ela nem se virou; apenas pegou uma lata e estendeu para trás.

— Está gelada. Para clarear as ideias.

A Isabela pegou, abriu o lacre com um estalo e virou um grande gole.

— No que está pensando? — A Davia perguntou, encostada na grade. — No anel do Gabriel ou no corpo cheio de cicatrizes do Henrique?

— Em nenhum dos dois. Estou pensando em mim.

A Davia virou-se de lado para olhá-la:

— O Gabriel gosta de você de verdade.

— Eu sei. — A Isabela bebeu mais um gole. — Ele é tão bom que me faz sentir que, se eu não aceitar, serei ingrata, egoísta, estarei ignorando o futuro do Eloy.

Aceitar seria a alegria de todos.

Os pais ficariam tranquilos, o Eloy teria um pai, ninguém mais faria fofocas, e ela poderia passar o resto da vida em paz.

Se fosse antes do Henrique aparecer, ela teria aceitado. Na verdade, ela até estava preparada para o Gabriel fazer aquele pedido.

Mas a premissa era: antes dele reaparecer.

— Então você ainda ama o Henrique? — A Davia percebeu a hesitação dela e perguntou diretamente.

A Isabela refletiu.

Depois de tanto tempo, ela achava que não se tratava mais de amor ou ódio.

Ela quase não sonhava mais com ele, nem lembrava das coisas do passado.

Mas, se realmente não se importasse, por que as mãos tremeram ao vê-lo coberto de feridas?

A Isabela pensou que, talvez, fosse falta de resignação.

Não se resignava ao fato de que os anos de dedicação não tivessem tido sentido.

Antes de ser "mãe do Eloy", "ex-mulher do Henrique", "noiva do Gabriel", existia aquela Isabela que ousava amar e odiar, que mesmo batendo de cara no muro, preferia derrubar o muro a recuar.

— O Gabriel me deu quinze dias. Nestes quinze dias, quero ver o que eu realmente quero, se tirar todas essas relações confusas e despir essas identidades.

Se fosse para fugir do Henrique, correr até o fim do mundo não adiantaria.

Se fosse para retribuir ao Gabriel, então esse casamento que nem começou já estaria errado.

Ela precisava limpar as partes apodrecidas dentro do peito para saber se o que restou ainda conseguia amar alguém, se ainda tinha coragem para amar.

A Davia a encarou por um longo tempo, depois se aproximou, passou o braço pelos ombros dela e a sacudiu com força.

— Muito bem, Isabela. Finalmente recuperou aquela energia de antes.

— E os meus pais...

— Eu cuido disso. Digo que você precisou sair para buscar inspiração. Grande influenciadora, motivo justo. — A Davia bateu no peito. — O Eloy já está grandinho, pode ir curtir tranquila. Se encontrar uns rapazes mais novos e melhores que aqueles dois, lembra de me mandar foto, não vai ficar só aproveitando sozinha.

A Isabela deu um chute nela:

— Sai fora.

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