Ele não era de falar muito, e isso não vinha de hoje. A Isabela também não precisava da resposta dele; abriu a porta diretamente.
Com um clique, uma força pesada veio do lado de fora.
A Isabela nem teve tempo de dar um passo quando três figuras empilhadas desabaram ruidosamente para dentro, caindo todas no tapete do escritório.
— Ai! Vai me esmagar!
— Não se mexe! A perna! Sai da minha perna!
— Ai, ai...
Isabela: "..."
A Davia estava embaixo de tudo, servindo de colchão. O Lucas estava sobre as costas dela, tentando se erguer, e acabou desequilibrando o Eloy, que estava montado em seu pescoço.
A Isabela baixou a cabeça, inexpressiva, observando aquele amontoado de gente no chão.
A Davia, ignorando a dor nas costas, ainda deitada, passou a mão no batente da porta e soltou uma risada seca:
— Então, é que... essa porta... o isolamento acústico é ótimo, sério. Eu estava justamente pensando se devia trocar a porta do escritório do Heitor por uma dessas...
O Lucas também se apressou em levantar, fazendo caretas de dor, e concordou:
— Sim, sim, sim, qualidade excelente. Não ouvimos nada agora há pouco.
Apenas o Eloy foi o mais esperto; vendo que a situação não era boa, rolou no chão, levantou-se cobrindo as orelhas e escondeu-se atrás da Davia.
A Isabela não entrou no jogo. Contornou as pessoas na porta e saiu.
Os passos se afastaram, até que um suspiro veio do topo da escada, desaparecendo em seguida no andar de baixo.
No escritório, os que restaram se entreolharam.
A Davia apoiou-se na parede para levantar, guardou o sorriso brincalhão e lançou um olhar complexo para o Henrique.
— Ouviu? — Ela não foi gentil, o tom era frio. — Algumas coisas não precisam ser ditas com todas as letras. Henrique, vá embora logo.
O Henrique permaneceu imóvel e perguntou com a voz rouca:
— Ela vai aceitar mesmo?
A Davia ergueu uma sobrancelha, propositalmente não dando uma resposta definitiva:
— O Gabriel até me mostrou o anel, o modelo é bonito. O coração de todo mundo é de carne; no lugar dela, você também ficaria balançado.
O Lucas puxou a Davia, sinalizando com o olhar para saírem logo.
A Davia bufou e virou-se para sair, mas percebeu que o Eloy não se moveu.
— Eloy, vamos descer.
A Davia ouviu com satisfação e puxou o Lucas:
— Vamos.
Ela tentou pegar o Eloy no colo, mas o pequeno recusou, dizendo que o tio era alto e que queria que o tio o carregasse.
A Davia suspirou e deixou o pequeno tirano fazer o que queria.
Na sala de jantar, ninguém tinha muito apetite.
As palavras ditas no escritório feriram o inimigo em mil, mas causaram oitocentos de dano a si mesma.
A Isabela dissecou o Henrique, mas também reabriu as próprias feridas que já estavam cicatrizadas.
Passos descompassados soaram; os três desceram as escadas.
Na frente vinham a Davia e o Lucas, que antes mesmo de chegarem ao térreo começaram a fingir que discutiam como a lua estava redonda, embora ainda nem tivesse escurecido.
O Henrique vinha atrás, com o Eloy no colo.
A Isabela ia abrir a boca, quando viu a cabecinha se aproximar do ouvido do Henrique e sussurrar:
— Pode me colocar no chão. Eu sou pesado, vai doer no seu machucado.
O braço do Henrique enrijeceu visivelmente; em seguida, ele obedeceu, curvando-se para colocar a criança no chão.

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