No dia do casamento, a Helena o repreendera severamente, dizendo que ele não podia ficar amarrado para o resto da vida. Ele achou que ela tinha razão.
Ele já era casado; também queria viver a sua própria vida.
Mas a notícia que chegou no dia seguinte foi que a Teresa havia sido encontrada em um camarote de bar, com as roupas desarrumadas.
O Paulo, visando a sua carreira política, quis abafar o caso. Planejava enviar a filha, que estava mentalmente instável, para um hospital psiquiátrico em segredo.
Cogitou até deixá-la "morrer de doença" lá dentro.
Foi naquele momento que o Henrique percebeu: naquela casa de aparência deslumbrante, a Teresa não era uma princesa mimada e amada. Ela era apenas uma peça de xadrez descartável, pronta para ser eliminada a qualquer momento após aquele acidente de carro.
Se ela vivia ou morria, o Paulo, na verdade, não se importava tanto quanto aparentava.
Foi o Henrique quem interveio e enviou a Teresa para tratamento no exterior.
Em relação à Teresa, nunca houve amor romântico. Era uma dívida impagável, uma punição pela sua própria cobiça pelo calor familiar.
Se ele tivesse ido naquela noite, a Teresa não teria sofrido aquilo.
Ele detestava a família Nogueira, mas sentia que devia à filha da família Nogueira. Essa contradição emocional o dilacerava constantemente.
O Henrique não sabia como contar à Isabela.
Como ele poderia dizer à Isabela?
Dizer a ela que, por ter ficado para comemorar uma data irrelevante ao lado dela, outra garota teve a sua inocência destruída?
A Isabela era tão bondosa que, se soubesse a verdade, aquilo também a aprisionaria.
Seria cruel demais com ela.
Vendo-o mergulhar no silêncio, a luz nos olhos da Isabela esfriou pouco a pouco.
— Viu? Você nem consegue explicar.
Ela massageou a testa, exausta:
— Henrique, não é que você não entenda o amor. Você apenas não me ama, por isso pode me sacrificar a qualquer momento.
O Henrique franziu a testa:
— Eu nunca pensei em sacrificar você.
— Mas o resultado é esse.
A Isabela sorriu, um sorriso triste:
— Na balança do seu coração, o peso da Teresa é sempre maior que o meu. Para cuidar dela, eu tenho que ceder o meu marido, para que ela possa usá-lo quando e onde quiser.
Ela apontou para si mesma:
— Eu sou apenas aquela "pessoa comum" que você lembra de agradar depois de ter feito tudo por ela, e se não estiver cansado demais.
— Não é isso. — O Henrique deu um passo à frente. — Isabela, realmente não é assim.
— Então me diga, por quê? — A Isabela o encarou. — Me dê um motivo, mesmo que seja uma mentira.
Ela se levantou:
— Se sabe que não tem direito, por que apareceu? Para dar a ele essa esperança ilusória?
— Hoje você pode ir lá e defendê-lo, mas e amanhã? Você vai voltar para Nuvália, para ser o seu grande herói, arriscando a vida. E quando o Eloy for intimidado novamente, o que ele vai pensar?
— Ele vai pensar: "Por que o meu pai não veio mais? Será que não fui bonzinho? Será que não sou importante? Será que ele não gosta de mim?"
— Você quer fazê-lo passar pela mesma espera e decepção que eu passei? Torná-lo também aquele plano B que fica eternamente esperando um telefonema e sendo abandonado?
O Henrique ficou sem palavras diante dos questionamentos.
— O Gabriel me pediu em casamento. — A Isabela soltou a frase de repente. — Ontem à noite. E eu prometi que consideraria seriamente.
— Portanto, não se aproxime mais do Eloy.
A Isabela deu a ordem de expulsão:
— Pelo bem do Eloy, aja como se aquela criança realmente tivesse morrido há quatro anos.
Ela contornou a mesa e caminhou até a porta.
— Por favor, retire-se.
A respiração parou naquele instante.
Os ouvidos do Henrique zumbiam; apenas a palavra "casamento" ecoava, ampliando-se infinitamente.

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