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Ele Me Traiu… ou Eu Enlouqueci? romance Capítulo 326

No dia do casamento, a Helena o repreendera severamente, dizendo que ele não podia ficar amarrado para o resto da vida. Ele achou que ela tinha razão.

Ele já era casado; também queria viver a sua própria vida.

Mas a notícia que chegou no dia seguinte foi que a Teresa havia sido encontrada em um camarote de bar, com as roupas desarrumadas.

O Paulo, visando a sua carreira política, quis abafar o caso. Planejava enviar a filha, que estava mentalmente instável, para um hospital psiquiátrico em segredo.

Cogitou até deixá-la "morrer de doença" lá dentro.

Foi naquele momento que o Henrique percebeu: naquela casa de aparência deslumbrante, a Teresa não era uma princesa mimada e amada. Ela era apenas uma peça de xadrez descartável, pronta para ser eliminada a qualquer momento após aquele acidente de carro.

Se ela vivia ou morria, o Paulo, na verdade, não se importava tanto quanto aparentava.

Foi o Henrique quem interveio e enviou a Teresa para tratamento no exterior.

Em relação à Teresa, nunca houve amor romântico. Era uma dívida impagável, uma punição pela sua própria cobiça pelo calor familiar.

Se ele tivesse ido naquela noite, a Teresa não teria sofrido aquilo.

Ele detestava a família Nogueira, mas sentia que devia à filha da família Nogueira. Essa contradição emocional o dilacerava constantemente.

O Henrique não sabia como contar à Isabela.

Como ele poderia dizer à Isabela?

Dizer a ela que, por ter ficado para comemorar uma data irrelevante ao lado dela, outra garota teve a sua inocência destruída?

A Isabela era tão bondosa que, se soubesse a verdade, aquilo também a aprisionaria.

Seria cruel demais com ela.

Vendo-o mergulhar no silêncio, a luz nos olhos da Isabela esfriou pouco a pouco.

— Viu? Você nem consegue explicar.

Ela massageou a testa, exausta:

— Henrique, não é que você não entenda o amor. Você apenas não me ama, por isso pode me sacrificar a qualquer momento.

O Henrique franziu a testa:

— Eu nunca pensei em sacrificar você.

— Mas o resultado é esse.

A Isabela sorriu, um sorriso triste:

— Na balança do seu coração, o peso da Teresa é sempre maior que o meu. Para cuidar dela, eu tenho que ceder o meu marido, para que ela possa usá-lo quando e onde quiser.

Ela apontou para si mesma:

— Eu sou apenas aquela "pessoa comum" que você lembra de agradar depois de ter feito tudo por ela, e se não estiver cansado demais.

— Não é isso. — O Henrique deu um passo à frente. — Isabela, realmente não é assim.

— Então me diga, por quê? — A Isabela o encarou. — Me dê um motivo, mesmo que seja uma mentira.

Ela se levantou:

— Se sabe que não tem direito, por que apareceu? Para dar a ele essa esperança ilusória?

— Hoje você pode ir lá e defendê-lo, mas e amanhã? Você vai voltar para Nuvália, para ser o seu grande herói, arriscando a vida. E quando o Eloy for intimidado novamente, o que ele vai pensar?

— Ele vai pensar: "Por que o meu pai não veio mais? Será que não fui bonzinho? Será que não sou importante? Será que ele não gosta de mim?"

— Você quer fazê-lo passar pela mesma espera e decepção que eu passei? Torná-lo também aquele plano B que fica eternamente esperando um telefonema e sendo abandonado?

O Henrique ficou sem palavras diante dos questionamentos.

— O Gabriel me pediu em casamento. — A Isabela soltou a frase de repente. — Ontem à noite. E eu prometi que consideraria seriamente.

— Portanto, não se aproxime mais do Eloy.

A Isabela deu a ordem de expulsão:

— Pelo bem do Eloy, aja como se aquela criança realmente tivesse morrido há quatro anos.

Ela contornou a mesa e caminhou até a porta.

— Por favor, retire-se.

A respiração parou naquele instante.

Os ouvidos do Henrique zumbiam; apenas a palavra "casamento" ecoava, ampliando-se infinitamente.

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