A Isabela Almeida nunca esqueceria a reação dele naquele momento.
Ela viu os ombros dele relaxarem e ele soltar um longo suspiro.
O peso daquele suspiro, a Isabela Almeida conseguia sentir até hoje.
— Fala. — Vendo que ele não dizia nada, a Isabela Almeida bateu na mesa. — Naquela época, no hospital, você sentiu que a criança tinha ido embora, sentiu que não precisava mais se responsabilizar, que não precisava mais escolher entre mim e a Teresa, não foi?
A pálpebra do Henrique tremeu.
Quando ele chegou ao hospital naquele ano, e a Isabela Almeida estava deitada na cama da observação, ao ouvi-la dizer pessoalmente "o bebê se foi", ele realmente sentiu alívio depois do susto.
Naquele momento, olhando para a barriga reta da Isabela Almeida, o que ele pensou foi: "Ainda bem".
Ele ainda não sabia como aceitar uma nova vida.
O Márcio mentiu para ele, disse que o levaria para ver a cratera do vulcão quando voltasse, mas nunca voltou. A Renata mentiu para ele, disse que amava os dois, pai e filho, acima de tudo, mas virou as costas e entrou na casa de outro homem.
Ele tinha medo de ser como o Márcio, sair um dia e nunca mais voltar. Tinha mais medo ainda de ser como a Renata e trazer uma sombra para a vida inteira da criança.
Ele era um doente, um lixo de pessoa.
— Quer ouvir a verdade?
Henrique estava parado diante da mesa; a luz do teto do escritório batia de lado, fazendo a cicatriz em sua sobrancelha parecer extraordinariamente profunda.
A Isabela Almeida manteve a expressão inalterada:
— Se é verdade ou não, eu tenho discernimento.
— Sim.
Nem sequer uma justificativa.
Quatro anos depois, uma dor surda rastejou pelas terminações nervosas e tomou conta de todo o corpo novamente.
A mão do Henrique, caída ao lado do corpo, se fechou:
— Eu não estava preparado, e a saúde da Teresa estava daquele jeito. Naquele momento, eu senti que... não ter o bebê, talvez fosse melhor para você e para a criança.
A Isabela Almeida assentiu:
— O André me falou. Ele disse que você é doente.
— Eu não sabia dessas coisas antes, por isso te culpei por ter sangue frio, te culpei por ser impossível de aquecer. — Ela repuxou o canto da boca, mas sem sorrir. — Agora eu sei. Henrique, isso é realmente trágico, e eu realmente sinto pena de você.
Henrique evitou o olhar dela:
— Desculpe.
— Não precisa pedir desculpas. Você ser doente é problema seu, se tem cura ou não também é problema seu. — O tom da Isabela Almeida continuava morno. — Mas tem uma coisa que eu não entendo.
— Se o seu trauma vem da Renata e da família Nogueira, por que você trata a Teresa tão bem?
O olhar do Henrique congelou levemente.
Um pedaço de vergalhão da grade de proteção perfurou o tórax dela.
Por muito pouco não perfurou o coração.
A menina de menos de dez anos ficou no hospital por quase um ano, passou por várias cirurgias, removeu parte do pulmão e tornou-se dependente de remédios para sempre.
Foi ele quem a empurrou com as próprias mãos.
Aquele vergalhão não matou a Teresa, mas decretou uma sentença de morte para o Henrique.
Mais tarde, ele conheceu a Isabela Almeida e se casou.
Na primeira neve em Nuvália, a Isabela Almeida preparava alegremente em casa um aniversário de namoro que nem sequer contava como um feriado.
Henrique voltou do trabalho e encontrou a casa cheia de balões e fitas, com a Isabela Almeida ocupada na cozinha.
Na verdade, a comida da Isabela Almeida era horrível, por isso ele aprendeu a cozinhar. Aquele foi um dos raros momentos em que ele sentiu apego pela palavra "lar".
Ele cobiçava aquele pouco de calor, cobiçava aquela Isabela Almeida bobinha.
Naquela noite, a Teresa também ligou para ele.
O celular tocava sem parar; ela disse que estava num bar com colegas e pediu para ele ir buscá-la.
Olhando para a Isabela Almeida que saía segurando um bolo, Henrique escolheu recusar e disse para a Teresa voltar logo para casa.
Ele desligou o telefone e colocou no silencioso. Mesmo que a tela tenha acendido várias vezes depois, ele não olhou mais nenhuma vez.

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