Lucca estava sentado muito reto.
Na frente dele estavam a folha de tarefa, um lápis e uma borracha. A borracha era nova, com as bordas ainda bem quadradas. Ele colocou o lápis à direita do papel e empurrou o papel um pouco na direção de Alice.
— Eu já posso começar?
Alice assentiu com muita seriedade.
— Pequeno Repórter Lucca, por favor, comece.
As orelhas de Lucca ficaram um pouco vermelhas.
Ele olhou para a primeira pergunta.
— Do que você já teve medo?
A música na cafeteria era muito suave.
Carros passavam lá fora, a rua após a chuva ainda não estava completamente seca, e os pneus passando pelas marcas d'água faziam um som muito fino.
Alice não disse "eu não tenho medo" como os adultos fazem para acalmar as crianças.
Ela pensou por um longo tempo.
— Eu já tive medo de muitas coisas.
Lucca levantou a cabeça.
Alice disse: — Medo de cirurgia, medo da reabilitação, medo de dor, medo de que os outros me vissem andar. Logo que voltei do tratamento no exterior, eu também tinha medo de sair de casa.
Lucca segurou o lápis e escreveu lentamente "medo de cirurgia".
Ele escrevia devagar, cada traço com muito cuidado.
Depois de escrever, ele fez a segunda pergunta.
— Então por que você continuou o tratamento?
Alice olhou pela janela.
Havia uma árvore na rua, as folhas lavadas pela chuva brilhavam a ponto de ofuscar os olhos.
— Porque eu queria voltar para casa.
A voz dela era muito baixa.
— E também queria que, um dia, quando meu irmão estivesse na porta, eu pudesse andar até ele sozinha, sem que ele precisasse estender a mão para me ajudar toda vez.
A ponta do lápis de Lucca parou.
— O tio Dante vai te ajudar para sempre?


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