Cristiano não dormiu.
A luz do escritório ficou acesa até a uma da manhã, e a caixa de arquivos em cima da mesa foi aberta e fechada várias vezes por ele.
Os bilhetes deixados por Graciana eram como incômodos pequenos: não eram devastadores, mas incomodavam ele sem parar.
Nenhum deles era importante.
Mas cada um já havia sido levado a sério por ela.
Cristiano recostou-se na cadeira, pressionando as têmporas com as pontas dos dedos. Aquela irritação no peito não passava.
Ele não queria classificar aquele sentimento como arrependimento.
Ele não queria admitir que aquilo era remorso, pois considerava esse sentimento algo fraco, que não combinava com a sua índole.
Ele apenas detestava perder o controle.
Detestava o fato de que a casa ainda levava o sobrenome Monteiro, mas era guiada pelo vazio deixado após a saída de Graciana. Ela não havia feito nada, só havia soltado a mão. E a família Monteiro parecia uma máquina sem uma peça essencial, cujo ruído ficava cada vez mais irritante.
O celular vibrou.
Renato Silva enviou uma mensagem.
[Sr. Monteiro, as informações sobre Helena Venturini são um pouco complexas. Ela de fato participou da otimização do algoritmo base da antiga linha de equipamentos médicos do Grupo Monteiro anos atrás, mas os arquivos do projeto foram selados há muito tempo, e parte deles não está no sistema do grupo.]
Cristiano encarou aquela linha, os olhos escurecendo aos poucos.
Otimização do algoritmo base.
Selados há muito tempo.
Quando criança, ele só sabia que o Grupo Monteiro havia começado com equipamentos médicos; mais tarde, migraram para o capital, hospitais e a indústria de reabilitação. A linha antiga já havia se tornado um mérito romantizado na história do grupo.
Mas a frase que Dona Valentina disse hoje, "A família Monteiro deve a vocês duas", não foi dita da boca para fora.
Será que Graciana sabia?
Se ela sabia, por que nunca mencionou?
Se ela não sabia, por que Dona Valentina resolveu contar justo agora?
Cristiano tocou no perfil de Graciana.
A janela de bate-papo ainda estava parada na ligação daquela noite, com um branco que feria os olhos.
Ele digitou algumas palavras.
[Qual era a relação da Helena Venturini com o Grupo Monteiro naquela época?]
Antes de enviar, ele apagou de novo.
Não deveria perguntar a ela.
Ao perguntar, seria como admitir que algumas coisas já não estavam sob seu controle.
Ele colocou o celular virado para baixo na mesa.
Passos vieram de fora. Dona Regina empurrou a porta e entrou, com uma expressão péssima.
— Ainda não dormiu?
Cristiano não levantou a cabeça:
— Precisa de algo?
Dona Regina viu a caixa de arquivos na mesa e soltou uma risada fria:

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