༺ Amara Wild ༻
Depois do passeio, voltei para o quarto, sentindo meu corpo relaxar com o conforto do ambiente. A manhã com Luca havia sido intensa de várias formas, e precisava de um momento de distração.
Após o almoço, sentei-me no sofá e procurei algo para assistir. Acabei escolhendo uma série nova, dessas que todo mundo comentava, mas que eu ainda não tive tempo de ver. O som envolvente encheu o ambiente e tentei me concentrar na tela, deixando-me levar pela trama.
Ou, pelo menos, essa era a intenção.
Uma presença se fez notar antes mesmo que eu pudesse reagir. O sofá afundou ao meu lado, e quando virei o rosto, lá estava ele. Enzo.
Diferente de Domenico, que exalava uma calma envolvente, ou de Luca, que misturava intensidade e provocação, Enzo era puro atrevimento.
Tem esse ar cafajeste que o tornava perigoso, não no sentido literal, mas no efeito que causava. Ele sabe o impacto que tem e usava isso a seu favor.
Com um sorriso presunçoso, ele me observou, recostando-se de forma descontraída, como se já estivesse confortável demais com a situação.
— Essa é aquela série nova que todo mundo está comentando? — perguntou, a voz carregada de interesse, mas seus olhos fixos em mim, como se a resposta não fosse tão importante quanto minha reação.
Respirei fundo, tentando ignorar o calor que subia pela minha nuca.
— Sim — respondi, mantendo o olhar na tela. — Ainda não vi, mas parece boa.
A resposta foi neutra, mas nada passava despercebido por ele.
Enzo riu, um som baixo e carregado de malícia. A forma como cruzou os braços e inclinou a cabeça me dizia que ele já tinha me lido por completo.
— Está nervosa?
Minhas mãos, que repousavam na borda do vestido, apertaram o tecido involuntariamente.
— Não. — Me apressei em responder. — Só estou ansiosa para ver a série.
Ele arqueou uma sobrancelha, claramente se divertindo.
— Tem certeza? Porque não parece ser só isso.
O olhar intenso percorreu meu rosto, analisando cada detalhe com uma atenção quase perturbadora.
Engoli seco, desviando o olhar.
— Sim! — murmurei, mais para mim do que para ele.
Enzo soltou uma risada baixa, e o som fez um arrepio percorrer minha espinha.
— Não é isso que parece.
Passei a mão pelos cabelos, tentando encontrar alguma compostura.
— Vocês têm essa mania de intimidar.
Ele inclinou-se ligeiramente, reduzindo ainda mais o espaço entre nós. O perfume amadeirado preencheu meus sentidos, e a presença dele tornou-se impossível de ignorar.
— Intimidar? — repetiu, um sorriso brincando nos lábios. — Ou será que só mexemos com você mais do que gostaria de admitir?
Minha respiração vacilou. Enzo não jogava rodeios, não criava situações para induzir respostas. Ele simplesmente dizia o que pensava e esperava que eu lidasse com isso.
— Você gosta de brincar, não é? — soltei, tentando reverter o jogo.
Ele riu outra vez, seus olhos brilhando com algo que eu não conseguia decifrar completamente.
— Só quando o jogo é interessante.
O jeito como disse isso fez meu estômago revirar. Enzo não era somente ousado, ele é perspicaz. Sabia ler sinais, captar fragilidades e usá-las a seu favor.
— Você está muito convencido de si.
Ele se inclinou mais, até que o rosto ficasse próximo o suficiente para que eu sentisse a respiração dele contra minha pele.
— E você está muito preocupada com isso.
Sinto meu corpo tenso, como se a qualquer momento ele pudesse cruzar um limite invisível.
— Você sempre faz isso? — perguntei, tentando manter a voz firme.
— O quê?
— Testar as pessoas.
Ele não negou.
— Só quando vale a pena.
O jeito que ele olha para mim, como se eu fosse um mistério que ele estava ansioso para desvendar, me deixou desconcertada.
Havia algo de perigoso em Enzo, não da forma tradicional, mas na maneira como ele fazia meu coração disparar com apenas um olhar.
— Você é impossível.
Ele sorriu, satisfeito.
— E você, irresistível.
Meus olhos se arregalaram com a declaração direta.
— Enzo…

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