༺ Amara Wild ༻
Caminhar ao lado de Luca pela propriedade era uma experiência única, quase desconcertante. Ele tinha um jeito descontraído, mas sua presença ainda me mantinha em alerta constante.
Diferente de Domenico, que sabia me envolver com sua segurança e intensidade, Luca era imprevisível, carregava sempre um ar de provocação que me fazia oscilar entre desconforto e fascínio.
Ele me guiava por um caminho de pedras que se perdia no meio do verde do jardim. A brisa leve trazia o perfume das flores recém-regadas, enquanto os sons da natureza criavam um fundo harmonioso para cada passo.
De repente, ele parou diante de uma parede coberta por trepadeiras.
— Vamos entrar — anunciou, empurrando uma parte do muro.
Uma passagem secreta se revelou, e meus olhos se arregalaram diante da entrada oculta.
— Nossa, que lugar incrível! Nunca tinha visto essa parte da casa.
Luca sorriu de lado, satisfeito com minha reação.
— Isso porque é restrito. Só eu e meus irmãos conhecemos este canto. É bonito, não é?
Observei ao redor enquanto atravessávamos a entrada. Do outro lado, um cenário encantador surgiu como um segredo bem guardado.
A luz do sol se filtrava entre as árvores, refletindo numa pequena lagoa de águas cristalinas. Um pedaço intocado do mundo, escondido sob o domínio silencioso da natureza.
Assenti, maravilhada.
— Sim, é lindo.
Meus olhos acompanharam os movimentos calmos de alguns patinhos selvagens que nadavam na superfície da água.
A mansão era gigantesca, repleta de mistérios, e mesmo depois de tudo ainda guardava surpresas que eu jamais imaginaria.
Um arrepio subiu por minha pele quando senti a mão de Luca deslizar devagar pelas minhas costas.
Respirei fundo, tentando ignorar a sensação estranha que aquilo provocava. Ele riu, percebendo minha reação imediata.
— Você sempre fica nervosa perto de mim. Quero que se acostume comigo.
Mordi o lábio, desviando o olhar para a lagoa.
— Talvez porque nossa convivência, no início, não foi das melhores.
Ele coçou a nuca, demonstrando um incômodo que não escondia tão bem.
— É… Eu sei. Fui um idiota. Naquela época, eu tinha acabado de sair de um relacionamento complicado. Você sabe… Nenhum de nós estava feliz com aquilo. Você presenciou tudo.
Cruzei os braços, sentindo o peso das lembranças.
— Sim. Mas vocês também foram cruéis. Diferente de Domenico.
Luca me observou em silêncio por alguns segundos. Então, segurou meu queixo com firmeza e se inclinou para me encarar de perto.
Seu olhar intenso me prendeu ali, e o toque de seus dedos na minha pele me fez prender a respiração.
— Quero que enxergue quem eu sou de verdade, Amara. Não sou o monstro que você imagina.
O ar pareceu pesar entre nós. Luca era o extremo oposto de Domenico. Seu jeito audacioso, seu olhar afiado, tudo nele misturava receio e algo que eu não queria nomear, mas que queimava por dentro.
Afastei o rosto, tentando escapar daquela expressão penetrante. Ele não recuou. Pelo contrário, se aproximou ainda mais, abaixando o rosto até sua respiração quente tocar meu pescoço.
O primeiro toque de seus lábios na minha pele foi suave, mas carregado de provocação.
— Luca… — murmurei, em um tom de aviso.
Ele riu, baixo e confiante.
— Gosto do jeito que fala meu nome.
Meu coração disparou. Senti seu nariz roçar na minha pele antes de seus lábios traçarem um caminho lento até minha clavícula.
— Está brincando comigo? — perguntei, tentando manter a voz firme.
— Não… Estou tentando mostrar que não sou tão ruim assim.
Meu corpo reagia antes mesmo que eu entendesse o que estava acontecendo. Arrepios, respiração curta, calor subindo sem controle.
— Você sempre foi atrevido desse jeito?
Ele sorriu contra minha pele, o hálito quente me desmontando.
— Só quando encontro algo que eu realmente quero.
Ergui o rosto para encará-lo e esse foi meu erro. Assim que nossos olhos se cruzaram, ele não perdeu tempo.
Inclinou-se ainda mais, aproximando nossos rostos até que eu sentisse o calor de sua respiração se misturar à minha.
— Ainda tem medo de mim, Amara? — sussurrou, enquanto os dedos deslizavam pela minha cintura.
Engoli em seco.
— Eu não… — As palavras sumiram quando ele pressionou os lábios nos meus.
O beijo começou lento, quase um convite para que eu recuasse, se quisesse. Mas, no momento em que senti o gosto dele, toda hesitação se perdeu. Seus dedos apertaram minha cintura, me puxando mais para perto.
Minhas mãos se apoiaram em seus ombros, sem saber se queria empurrá-lo ou segurar. Luca aprofundou o beijo, exigente, faminto.

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