༺ Domenico Beltron ༻
Olhei para Luca friamente, sem acreditar no que ele acabara de fazer. Ele havia ultrapassado todos os limites.
Tínhamos um acordo claro: eu seria o primeiro a conduzi-la nesse caminho, a tirá-la de sua inocência antes de introduzi-la a esse mundo. Mas, em sua pressa, Luca ignorou completamente esse acordo.
— Você passou dos limites, Luca. Esqueceu do que combinamos? — Minha voz saiu baixa, mas firme, deixando claro meu descontentamento.
Luca, impaciente, rebateu com um tom desafiador:
— Estou cansado de esperar, Domenico. Pensei que essa enrolação já tivesse durado o suficiente.
Soltei uma risada irônica, observando-o de cima a baixo, tentando entender o que ele realmente queria dizer com isso.
— Engraçado. Até ontem, você não queria saber dela — comentei, tentando esconder a irritação que começava a ferver. — E agora está tão ansioso em iniciar… a safadeza?
Enzo e Pietro, ao lado dele, riram, mas mantém os olhos fixos em Amara, que continuava com uma expressão de confusão e surpresa.
Ela parecia uma presa diante de predadores, mas ainda assim havia algo nela, um brilho de coragem ou talvez curiosidade que a mantinha ali. Luca, em sua insistência, murmurou com um sorriso de canto:
— Não precisa se preocupar. Dessa vez, são só preliminares.
Foi então que vi Amara levantar o olhar, ainda surpresa e talvez assustada, mas com uma força que eu não esperava.
— Preliminares? — ela perguntou, um pouco trêmula.
— Preliminares do sexo, querida — Luca respondeu, o tom provocador.
Vi quando ela engoliu em seco, o desconforto evidente em cada linha do seu rosto.
Era o suficiente. Eu não tolerava esse tipo de pressão, ainda mais vindo de meus próprios irmãos. Dei um passo à frente, interpondo-me entre eles e Amara, e falei com firmeza:
— Vocês estão assustando a garota. Parem com isso.
Antes que pudessem argumentar, vi o olhar dela suavizar e, com uma surpresa que me deixou momentaneamente sem palavras, ela disse:
— Tudo bem. Consta no contrato, afinal.
Os olhos dos três brilharam de satisfação com a resposta dela, mas eu não compartilhava do mesmo entusiasmo.
Sabia que aquilo era mais uma resposta para aliviar a pressão do que uma decisão genuína.
Agarrando seu braço de leve, a puxei para mais perto, lançando um último olhar de aviso para Luca, Enzo e Pietro.
— Ela só vai fazer o que quiser, e no tempo certo — disse, meu tom sério, mas com um toque de ameaça. — Vocês querem que ela ceda? Então aprendam a ter paciência e respeito.
Eles bufaram em protesto, mas ignorei, apertando o botão do elevador para subir de volta. Ao ver a expressão intrigada de Amara, relaxei um pouco e murmurei:
— Me desculpe por meus irmãos serem tão… impulsivos. Mas não se deixe levar tão facilmente pelos desejos deles.
O olhar dela encontrou o meu por um instante, e, pela primeira vez, notei uma centelha de confiança ali.
Ela talvez ainda estivesse confusa, mas agora entendia que, ao menos comigo, encontraria limites e alguma forma de controle.


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