༺ Amara Wild ༻
Na manhã seguinte, o dia avançava devagar, mas minha mente ainda pairava nos momentos do dia anterior.
A tarde com Enzo, o jeito audacioso e envolvente com que ele se aproximava, a intensidade do beijo. E, claro, a manhã com Luca, sempre atrevido, sem medir palavras ou ações.
Eles eram tão diferentes. Cada um tinha sua maneira única de dominar um ambiente, de roubar minha atenção e de me fazer questionar até onde essa situação me levaria? O contrato dizia que eu pertencia aos quatro, mas será que meu coração seguiria essa lógica?
Sentir atração por todos era inevitável, mas e se um deles se tornasse mais do que isso?
Antes que pudesse me aprofundar nesses pensamentos, uma batida na porta quebrou minha linha de raciocínio.
— Está aberta! — avisei, sem me levantar.
A porta se abriu lentamente, revelando Pietro.
O mais novo, mas ainda assim mais velho do que eu. Ele possuía um ar diferente dos outros, uma presença mais tranquila e, ao mesmo tempo, um charme discreto. Sempre educado, menos impulsivo que Luca e Enzo, e sem a rigidez de Domenico.
Ele trazia uma bandeja nas mãos, equilibrando uma pequena torta ao lado de uma jarra de suco.
— Pedi para Dinar fazer esse doce especial para comermos juntos — comentou, com um sorriso discreto.
Olhei para a torta. Era fofa e delicada, com uma base dourada e uma cobertura de creme leve, decorada com finas camadas de frutas cristalizadas.
— Parece deliciosa — elogiei, me levantando para ajudá-lo a colocar a bandeja sobre a mesa ao lado.
Ele esperou que eu me acomodasse antes de se sentar na cadeira oposta, observando minha reação enquanto pegava um pedaço pequeno.
— Pensei que estivesse ocupado com trabalho.
Pietro deu de ombros, pegando sua própria fatia da torta.
— Meu trabalho é mais flexível. Tenho um sócio que cuida da parte mais burocrática, então posso me dar ao luxo de escapar ocasionalmente.
— Então quer dizer que seu trabalho é mais… normal?
Ele sorriu, entendendo minha curiosidade.
— Depende do que considera normal. Tenho uma agência de publicidade. Cuidamos de campanhas, identidades visuais e estratégias de marketing para grandes marcas.
— Isso parece interessante — comentei, verdadeiramente intrigada. — Sempre quis saber como funciona essa área. Você lida com os clientes diretamente ou só cuida da parte criativa?
Pietro se recostou na cadeira, relaxando.
— Um pouco de tudo. Gosto de estar envolvido em todas as etapas. É um trabalho dinâmico, não fico preso em um escritório o tempo todo.
Mordi mais um pedaço da torta, saboreando o sabor delicado do creme com as frutas.
— Realmente, bem diferente dos seus irmãos.
Ele riu baixo, tomando um gole de suco antes de responder.
— Sim. Domenico gosta de controle absoluto, Luca vive no limite e Enzo… bem, Enzo é Enzo.
— E você? — perguntei, inclinando levemente a cabeça.
Ele me olhou com um brilho nos olhos, como se já soubesse onde eu queria chegar.
— Sou o irmão romântico — disse, sorrindo de canto.
Aquilo me fez rir.
— Ah, então essa visita inesperada e essa torta são só um gesto romântico?
Pietro desviou o olhar por um breve instante, mas o sorriso permaneceu.
— Também queria passar um tempo com você. Afinal, não são só os meus irmãos que têm esse direito.
O jeito que ele falou, mesmo que de maneira suave, fez algo dentro de mim revirar. Pietro é diferente dos outros. Não avançava como Luca, não me testava como Enzo, e nem carregava a frieza estratégica de Domenico.
Ele somente… vinha até mim com sua naturalidade gentil, mas ainda assim, deixando claro que queria algo.
O silêncio entre nós se prolongou por um momento, mas não era desconfortável. Ele me observava, e sentia a intensidade no olhar dele, diferente de qualquer outra que já havia experimentado com os outros.
— Gostou da torta? — perguntou, quebrando o silêncio.
Assenti, sorrindo.

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