Naquela noite de verão, a grande cama afundou profundamente na penumbra do quarto principal.
A brisa movia as cortinas sob a pálida luz do luar, respirações se misturavam e silhuetas balançavam.
O homem havia bebido, não estava sendo gentil, parecia até haver um tom de punição em seus movimentos.
De olhos fechados, Ofélia Palma suportava as investidas dele.
— Ofelinha, abra os olhos e olhe para mim.
De repente, ele agarrou o queixo dela. Em meio à dor, a voz rouca e levemente irritada do homem soou acima de sua cabeça.
Ofélia abriu os olhos lentamente.
Um feixe de luar iluminou perfeitamente o perfil esculpido do rosto dele.
Ofélia sentiu-se um pouco atordoada.
Um mês atrás, eles haviam tido uma discussão amarga no cemitério.
Era o aniversário de morte do casal de gêmeos deles, mas o homem apenas soltou friamente que estava ocupado demais para aturar suas loucuras. Depois de ir embora, ele passou um mês inteiro sem voltar para casa...
Uma dor súbita na clavícula trouxe Ofélia de volta à realidade, encontrando o olhar escuro e profundo dele.
— Preste atenção — a voz do homem soou rouca, com a irritação ainda mais evidente.
Os cílios de Ofélia tremeram levemente, e uma súbita vontade de chorar ardeu em seu nariz.
— Thiago, vamos ter outro filho — ela ergueu a mão, as pontas dos dedos geladas tocando a testa levemente franzida do homem, com a voz embargada.
O homem parou, seus olhos negros tingidos de desejo a encarando profundamente.
— Ofelinha, você está falando sério?
Ofélia não respondeu, apenas ergueu os braços para envolver o pescoço dele, inclinando a cabeça para beijar seus lábios...
Os olhos escuros do homem se estreitaram, seus longos dedos se embrenharam nos cabelos dela, segurando firmemente sua nuca.
— Ofélia, faz quanto tempo que você não se olha direito no espelho? — no instante em que os lábios dela o tocaram, o homem abriu levemente a boca, com a respiração quente, mas a voz gélida.
Ofélia paralisou e abriu os olhos.
O som de um carro pôde ser ouvido vagamente lá embaixo.
Thiago havia ido embora de novo.
O quarto ficou em completo silêncio. Ofélia puxou o lençol para cobrir seu corpo magro.
Ela se virou de lado. O luar banhou suas costas, revelando as vértebras protuberantes, de fato, não era um corpo apto para a maternidade.
Após cinco anos de pesadelos intermináveis, ela havia se tornado dependente de remédios. Vomitava mais do que conseguia comer diariamente, com um metro e setenta de altura, pesava apenas quarenta quilos.
Lentamente, Ofélia se apoiou na cama para levantar, afastou os lençóis e entrou no closet.
Ela parou em frente ao espelho de corpo inteiro e observou o próprio reflexo.
Até as roupas de ficar em casa no menor tamanho pareciam largas nela. Estava pálida, com o rosto encovado, as olheiras fundas e um olhar desolado.
As pontas dos dedos trêmulos acariciaram levemente os fios de cabelo secos e sem vida.
Antigamente, Thiago dizia que adorava os cabelos longos dela, todos os produtos capilares que ela usava eram fórmulas exclusivas que ele encomendava pessoalmente do exterior.

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