A dor intensa e a tontura causada pela perda de sangue atingiam sua consciência remanescente como ondas, distorcendo a cena diante dele, como se olhasse através de uma superfície de água agitada.
...Ilusão?
Como Aeliana poderia estar aqui?
Devia ser... a dor o confundindo, criando alucinações...
Aeliana odiava tanto a família Costa; certamente ficaria feliz em vê-lo naquele estado.
Por que estaria ali tentando salvá-lo?
Marcelo tentou negar esse pensamento absurdo, mas a leve comoção trazida por aquela figura e aqueles olhos era como um fio invisível puxando seu cérebro caótico.
Seus lábios se moveram inconscientemente algumas vezes, o atrito da pele seca emitindo um som de ar extremamente fraco, quase inaudível.
— ...Aeliana...
O sussurro inconsciente de Marcelo foi leve como um suspiro, instantaneamente abafado pelo som dos instrumentos cirúrgicos e o bipe das máquinas no momento em que foi dito. Ninguém ouviu.
Marcelo girou os olhos, tentando ver o rosto daquela pessoa com mais clareza... para ter certeza de quem era.
Mas no segundo seguinte, uma exaustão colossal e a escuridão avançaram novamente como uma maré violenta.
A lucidez de Marcelo durou apenas algumas respirações antes que a escuridão o engolisse novamente.
As pálpebras de Marcelo caíram sem força, e sua consciência afundou completamente no vazio infinito.
O que Marcelo viu não foi uma ilusão; quando Beatriz o levou ao hospital...
Aeliana e Jocelino também haviam chegado.


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