Enquanto discava o número, Jocelino explicou para Aeliana:
— Os donos de estabelecimentos naquela região geralmente conhecem algumas pessoas de peso.
Ele acrescentou:
— Vou mandar alguém dar um recado. Será mais útil do que elas ficarem lá se desesperando.
Além disso, ele percebeu pela expressão de Aeliana que ela nunca teve experiência com esse tipo de coisa.
Sendo assim, para ele era apenas uma questão de uma frase; ele resolveria o problema da amiga de Aeliana sem esforço.
Afinal, as amigas de Aeliana eram amigas dele.
Enquanto Jocelino explicava a Aeliana, a ligação foi atendida. Ele deu instruções concisas, mencionou o nome da boate e as características de Marcelo, e finalizou com uma voz grave:
— ... Sim. Certo, entendi.
Ao desligar, disse a Aeliana:
— Diga a elas para esperarem notícias na porta e não saírem. Terei uma resposta em breve.
Enquanto Beatriz estava num beco sem saída do outro lado, a situação de Marcelo também não era nada boa.
O ferimento na parte de trás da cabeça causou perda excessiva de sangue; ele só conseguia ficar encolhido no chão frio e úmido. O sangue morno continuava a escorrer do ferimento na têmpora, borrando sua visão, e sua consciência começava a ficar turva.
Além disso, ele sentia que todos os seus órgãos internos doíam; cada respiração trazia uma pontada de dor excruciante.
Ele ouvia vagamente as vozes do homem loiro e de seus capangas discutindo.
O loiro parecia ter se acalmado e, ao ver que havia espancado Marcelo tão violentamente, também começou a entrar em pânico.
Ele cutucou Marcelo levemente com o pé e percebeu que não havia movimento, como se tivesse desmaiado.
O loiro praguejou:
— ... Droga... parece que ele parou de se mexer...
Ele comentou, nervoso:
— Esse cara parecia ser duro, como é que não aguenta apanhar?
O capanga também ficou com medo; será que tinham matado o homem?
Ele perguntou:
— Será que a gente não exagerou e matou ele?
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