O médico não era ingênuo; não emprestar o aparelho era a atitude mais sensata.
A última esperança se desfez, e o brilho nos olhos de Gustavo se apagou instantaneamente.
Ele abriu a boca, querendo insistir mais uma vez.
Porém, acabou recostando-se sem forças no travesseiro, murmurando:
— ...Esquece. Deixa para lá.
O médico anotou os dados, reforçou a importância do repouso e saiu com o estagiário.
Antes de se afastar, instruiu em voz baixa a enfermeira que o seguia:
— O paciente do leito 3 está emocionalmente instável e a situação familiar parece complicada. O estado clínico dele não suporta muitas oscilações de humor, então fique atenta.
— Qualquer alteração, me reporte imediatamente.
A enfermeira assentiu:
— Entendido, doutor.
A porta do quarto se fechou suavemente.
Gustavo olhou para o teto, sentindo a última centelha de esperança morrer em seu peito.
Agora, seu coração estava como cinzas frias.
Ele não disse mais nada, apenas fechou os olhos, exausto.
...
Do outro lado da cidade, Marcelo brigara com Gervásio e saíra de casa intempestivamente; ao tentar ir para um hotel, descobriu que seus cartões haviam sido congelados por Gervásio.
Sem ter para onde ir, Marcelo escolheu uma boate para afogar as mágoas.
Letreiros de neon deslumbrantes cortavam a escuridão da noite, refletindo as palavras "Samba e Cerveja" de forma psicodélica.
Cada vez que a pesada porta acústica se abria, escapava um som ensurdecedor de graves eletrônicos e uma lufada de ar quente misturado com álcool, perfume e hormônios.


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