Beatriz levantou a cabeça, encontrando o olhar sincero de Aeliana. A pedra em seu coração finalmente caiu, mas seu nariz começou a arder.
As palavras que Aeliana acabara de dizer poderiam soar duras; se caíssem nos ouvidos de outra pessoa, poderiam até ofender. Mas Beatriz não sentiu isso. Pelo contrário, sentiu-se segura e tocada pela franqueza da amiga.
Aeliana era sempre assim: envolvia um coração mais gentil e compreensivo do que qualquer outro em uma casca de indiferença afiada.
Beatriz assentiu vigorosamente, com a voz embargada:
— Como eu poderia guardar ressentimento de você por causa disso? Eu entendi o que você quis dizer... Obrigada, Aeliana.
— Ai, gente! Pra que essa choradeira toda?
Ao lado, Aline não aguentou mais assistir àquilo e interveio:
— Seu irmão já é bem grandinho, tem a própria cabeça. Nada vai acontecer com ele.
Aline estava presente durante o telefonema das duas.
No entanto, como Camila falava apenas com Beatriz e Aeliana, ela achou melhor não interromper a conversa alheia de forma indelicada.
Vendo a expressão lamentável de Beatriz, Aline puxou um lenço de papel e entregou a ela.
Beatriz pegou o lenço e tentou se recompor.
Embora racionalmente soubesse que Aeliana e Aline estavam certas, a imagem da marca do tapa no rosto de Rodrigo quando ele saiu furioso, somada ao choro suplicante da mãe, pesava em seu coração como uma rocha.
Ela não sabia como o irmão estava. Será que algo acontecera?
Mas Beatriz não ousava expressar essa preocupação, com medo de que, ao fazê-lo, Aeliana assumisse o problema por causa dela.
Vendo a amiga cheia de preocupações, Aline se aproximou, abraçou Beatriz pelos ombros e disse em tom descontraído:

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