A obsessão de Felipe pela pesquisa científica já havia atingido um nível maníaco.
Usar o próprio irmão como cobaia era algo que apenas Felipe seria capaz de fazer.
— E se for?
O tom de Felipe era frio, sem qualquer traço de culpa.
— O remédio que lhe dei não é barato. É um medicamento específico recém-desenvolvido e está justamente na fase em que precisamos coletar dados clínicos.
— Além disso, preciso saber o efeito após o uso para ajustar a dosagem. Se você não quer morrer, trate de colaborar.
— A propósito, a partir de hoje, você deve abster-se de relações sexuais.
Henrique não suportava ouvir a palavra "morrer" naquele momento.
O seu rosto empalideceu. Ele apertou o caderno com força, deixando os nós dos dedos brancos, mas não refutou. Apenas cerrou os dentes e sussurrou:
— ...Entendi.
Felipe não lhe deu mais atenção e virou-se para ir ao escritório.
— Depois de tomar o remédio, vá para casa. Eu preciso sair para trabalhar.
A sala de estar ficou em silêncio.
Henrique permaneceu sentado sozinho, olhando para o caderno e os comprimidos restantes na sua mão. A arrogância que ele sustentava há pouco dissipou-se lentamente.
Ele jogou o caderno violentamente no sofá, cobriu o rosto com as mãos e manteve os ombros rigidamente tensos, mas não emitiu nenhum som.
Assim que Henrique guardou o remédio que pegara com Felipe no fundo da gaveta da mesa de cabeceira, o seu telemóvel tocou de forma estridente.
Ele olhou para o ecrã.
Era a Sra. Rabelo.
Em poucos dias, o nome da Sra. Rabelo deixara de lhe causar a empolgação de outrora.
Lembrando-se do objetivo das ligações anteriores da Sra. Rabelo...
Ele havia descansado apenas um dia, e a Sra. Rabelo, com a sua falta de vergonha e voracidade, já estava ligando novamente.
O propósito desta chamada certamente não seria uma exceção.

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