Henrique olhou para os comprimidos de formas e cores variadas sobre o guardanapo, sentindo uma inquietação inexplicável no peito.
Henrique hesitou por um momento, mas não conseguiu conter-se e levantou a cabeça:
— Felipe... de onde vêm estes remédios? É confiável? Não vá me fazer ficar doente com isso.
Diante da dúvida de Henrique, Felipe soltou uma risada de escárnio, cruzou os braços e lançou-lhe um olhar que misturava caridade e um significado profundo.
— Este é o medicamento de terapia-alvo mais recente desenvolvido pelo nosso instituto. Ainda está na fase de coleta de dados clínicos.
— Embora este medicamento ainda esteja em fase de testes, os resultados clínicos são excelentes e os efeitos colaterais são muito mais controlados do que outros medicamentos do gênero. Caso contrário, eu não o daria a você.
— Para ser sincero. Se você não fosse meu irmão, jamais teria acesso a este tipo de medicamento.
Afinal, tratava-se de um remédio de ponta; muitas pessoas lá fora não conseguiriam comprá-lo nem com todo o dinheiro do mundo.
Lembrando-se da natureza de Henrique, que não conseguia guardar segredo e adorava vangloriar-se, Felipe endureceu o tom, impregnando-o de advertência.
— Já lhe entreguei o remédio. Se você quer se curar de verdade, coma bem, tome a medicação na hora certa e registre as suas reações pontualmente.
— Não faça tantas perguntas e não saia falando bobagens por aí. Isso não lhe trará nenhum benefício.
Ele deu um passo à frente, inclinou-se ligeiramente e baixou a voz:
— Apenas aceite os benefícios e fique quieto, entendeu?
Com uma expressão feia, Henrique ficou em silêncio por alguns segundos e apenas respondeu:
— Entendi.
Henrique estendeu a mão, pegou os comprimidos, enfiou-os na boca de uma só vez e engoliu com um grande gole de água, esticando o pescoço.
O amargor dos comprimidos fê-lo franzir a testa e soltar um estalo de língua em sinal de desgosto.


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