— Alô... Felipe? Por que está ligando tão cedo?
Eram apenas sete horas da manhã. Henrique acabara de encerrar uma noite de prazer e mal havia pegado no sono quando foi despertado pelo telefonema de Felipe, o que, naturalmente, o deixou irritado.
Logo em seguida, ouviu-se o murmúrio preguiçoso de uma jovem mulher do outro lado da linha:
— Quem é... uma hora dessas...
A voz era difusa, carregada da insatisfação de quem acaba de ser acordada.
Henrique, instintivamente, sussurrou algumas palavras, e as reclamações da mulher cessaram.
Segurando o telefone, Felipe apertou os dedos com força quase imperceptível.
Era óbvio que Henrique não estava seguindo as recomendações médicas; pelo som, era provável que tivesse acabado de sair da cama daquela mulher ao seu lado.
Realmente, não se arrependia nem à beira da morte.
A pouca paciência que restava no fundo do coração de Felipe, baseada apenas nos laços de sangue, dissipou-se instantaneamente.
Seu tom tornou-se ainda mais gélido e estável, carregando até mesmo uma pitada de ironia sutil.
— O resultado do seu reexame de HIV saiu.
Talvez porque sua paciência com Henrique tivesse atingido o limite, Felipe não fez nenhuma pausa.
Ele informou o outro diretamente, sem dar qualquer tempo para que ele se preparasse.
— Lamento informar, mas o resultado é positivo.
O outro lado da linha mergulhou em um silêncio mortal.
Segundos depois, veio a voz de Henrique, em pânico e quase desafinada, sem qualquer vestígio de sono.
— Po... Positivo?
— Como isso é possível?
— Impossível! Felipe, você deve ter visto errado!
— Eu sempre tomo todas as precauções!
Sua voz cessou abruptamente, como se ele tivesse percebido algo repentino, e sua respiração tornou-se pesada e urgente.


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