...
A luz do sol da tarde atravessava as imensas janelas de vidro, derramando-se sobre o piso polido como um espelho.
Jocelino estava de cabeça baixa, revisando documentos, quando o telefone interno tocou.
— Sr. Barreto, a Srta. Oliveira está aqui. — A voz de Odilon soou, com uma leve pausa quase imperceptível. — Ela disse que é urgente.
A mão de Jocelino, que assinava um papel, parou. Ele ficou surpreso.
Ele largou a caneta imediatamente.
— Peça para ela entrar.
Assim que Jocelino terminou de falar, a porta do escritório foi suavemente empurrada.
Aeliana estava parada na entrada, com uma expressão visivelmente tensa.
Ela claramente tinha vindo às pressas.
— Aeliana?
Jocelino levantou-se de imediato, contornou a grande mesa de escritório e caminhou rapidamente em direção a ela, com um tom de preocupação.
— Por que você veio tão de repente?
— Aconteceu alguma coisa?
Pela pressa demonstrada por Aeliana, era óbvio que ela tinha algo a tratar com ele.
Jocelino tentou segurar a mão de Aeliana com naturalidade, mas ela se esquivou suavemente.
Aeliana levantou a cabeça e olhou para ele; seus lábios se moveram, como se houvesse muito a dizer, mas ela não sabia por onde começar.
Jocelino, vendo aquela hesitação e o olhar de quem não encontrava as palavras, deduziu o que poderia ser.
Ele suavizou a voz, conduziu Aeliana até o sofá ao lado e serviu um copo de água para ela.
— Você... viu a coletiva de imprensa?
Aeliana segurou o copo morno; a temperatura em seus dedos ajudou a relaxar um pouco seus nervos tensos.
Ela assentiu, finalmente erguendo os olhos para encará-lo, e sua voz saiu baixa.
— Sim... Eu acabei de ver na televisão.


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