O paciente pegou a receita, verificou se não havia dúvidas e se levantou.
— Então, muito obrigado, Dr. Oliveira.
O paciente abriu a porta para sair e viu Henrique encostado na entrada.
Lembrando-se da atitude rude que aquele homem teve momentos antes, o paciente lançou um olhar fulminante para Henrique e, antes de sair, deixou um comentário carregado de sarcasmo.
— Os jovens de hoje em dia estão cada vez mais sem educação!
— Não sei como os pais educaram. O irmão mais velho é tão excelente, mas o mais novo não tem nem o básico de respeito e cortesia.
— Só não vou prestar uma queixa contra o hospital em consideração ao Dr. Oliveira, senão eu certamente faria isso hoje mesmo!
Dito isso, ele foi embora de forma decidida.
Todos os presentes sabiam de quem ele estava falando.
As enfermeiras que passavam se entreolharam.
Henrique quis retrucar, mas a dor lancinante em suas partes íntimas o impediu de falar, restando-lhe apenas curvar-se e ofegar.
Aquele paciente, por acaso, era o último atendimento da manhã de Felipe.
Felipe apertou a campainha e disse à enfermeira que entrou:
— Tenho algumas coisas para conversar com meu irmão. Júlia, pode sair para descansar um pouco, volte mais tarde.
A enfermeira assentiu, entendendo que os dois irmãos precisavam de privacidade, e teve o bom senso de fechar a porta do consultório ao sair.
No consultório limpo e organizado, restaram apenas os dois irmãos.
Assim que se sentou, Henrique começou a reclamar de Felipe.
— Felipe, você é rigoroso demais! Não me deu a mínima consideração na frente daquela gente toda agora há pouco! Eu sou seu irmão, custava me atender primeiro?
Felipe estava sem paciência e sua voz soou muito mais fria e dura.



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