Jocelino apertou a ponta do nariz dela:
— Se eu te contasse, que surpresa seria?
Aeliana bufou, levemente irritada:
— Se não quisesse contar diretamente, poderia ter dado uma dica. Você criou uma confusão enorme.
— E além disso... quando você me deu aquela explicação dias atrás, não disse que era um pedido de casamento, disse que estava preparando uma "surpresa de aniversário".
Ele a tinha enganado duas vezes seguidas.
Jocelino realmente mentia sem nem piscar.
Jocelino fez uma cara de inocente:
— Eu não disse nada de errado.
Ele baixou a cabeça e sussurrou no ouvido dela:
— Eu não menti para você. Naquele dia eu disse que era o planejamento de uma surpresa.
— Um pedido de casamento não conta como uma espécie de "surpresa"?
O hálito quente roçou a orelha dela, e Aeliana sentiu o rosto esquentar, empurrando-o de leve.
— Jocelino, você está fazendo jogos de palavras comigo?
Jocelino sorriu com astúcia e segurou a mão dela:
— Isso se chama arte da linguagem.
Aeliana o encarou, mas não conseguiu evitar o riso:
— Você sabe que eu quase achei que você...
Ela não terminou a frase, mas Jocelino entendeu o que ela queria dizer.
Ele conteve o sorriso e acariciou suavemente a bochecha dela com o polegar:
— Desculpe por ter te deixado triste.
Aeliana balançou a cabeça e voltou a se apoiar no peito dele:
— Esquece. Vendo que seu desempenho hoje foi razoável, eu te perdoo.
Jocelino riu baixo, a vibração de seu peito passando para o corpo dela:
— Apenas "razoável"?
Aeliana ergueu os olhos e provocou:
— É, mais ou menos.
Jocelino semicerrou os olhos e, de repente, segurou a cintura dela, aproximando o rosto:
— Então parece que eu preciso me esforçar um pouco mais.
Aeliana riu e tentou empurrá-lo:
— Para com isso...
Antes que pudesse terminar, seus lábios foram selados.
Jocelino estacionou o carro naquele exato momento e olhou para ela de lado. A reação de Aeliana era tão óbvia que ele não pôde deixar de achar graça.
— Nervosa?
Aeliana negou com a cabeça:
— Não.
Jocelino riu baixo e estendeu a mão para apertar a ponta dos dedos dela:
— Então por que você não para de olhar para o anel?
Aeliana pigarreou e recolheu a mão:
— ...É só que ainda não me acostumei.
Jocelino não a desmentiu, apenas segurou a mão dela, entrelaçando os dedos:
— Vamos, eles estão esperando.
……
Na sala de jantar, Eduardo conversava com Heloisa.
Nesse momento, a porta principal foi aberta.
Jocelino entrou de mãos dadas com Aeliana.
A luz do pôr do sol envolvia os dois, delineando suas silhuetas esguias.
Jocelino vestia um terno preto de corte impecável, ombros largos e pernas longas, com traços profundos e uma aura de calma e reserva em cada gesto.

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