Gabriela foi capaz de dizer tais palavras.
Foi somente nesse momento que Dandara percebeu claramente a situação, durante o tempo em que ela e o marido estiveram ausentes.
Como Gabriela havia sido tão mal influenciada pelos outros?
Gabriela apertou os lençóis com força, os nós dos dedos ficando brancos:
— De que adianta ele ser bom? Eu não gosto dele!
— Mas o sentimento pode ser construído! — Dandara tentou argumentar, com o coração pesado. — Meu pai também combinaram tudo na época, e eu e seu pai não vivemos bem?
Gabriela cobriu os ouvidos, fingindo não ouvir:
— Se você quer casar, vá você e case, porque eu não vou!
— A menos que vocês queiram me ver morta, eu não me caso de jeito nenhum!
— Gabriela! — O rosto de Dandara mudou bruscamente, e sua voz se elevou. — Você tem noção do que está dizendo?
Gabriela virou o rosto, recusando-se a falar mais, apenas deixando as lágrimas caírem silenciosamente.
Ao vê-la naquele estado, Dandara sentiu uma mistura de raiva e dor no coração. No fim, soltou apenas um longo suspiro.
— Pense melhor sobre isso.
Ela se levantou e saiu. Ao fechar a porta, usou um pouco mais de força, provocando um estrondo que fez os ombros de Gabriela tremerem levemente.
...
O silêncio voltou a reinar no quarto.
Gabriela escorregou lentamente de volta para a cama, enterrou o rosto no travesseiro e soluçou silenciosamente.
Na sala de estar, no andar de baixo.
Emerson viu a esposa descer com o rosto fechado e foi logo ao seu encontro:
— Como foi? A Gabriela aceitou comer alguma coisa?
Dandara balançou a cabeça, massageando as têmporas com ar de exaustão:
— Essa menina... está cada vez mais difícil.
Emerson franziu a testa:
— Não dá para continuar assim, precisamos pensar em algo.
Dandara hesitou por um momento e sussurrou:
— Que tal... pedir para o Elton vir aqui?
Talvez, vendo-o pessoalmente, Gabriela não resistisse tanto.
Na verdade, se Jocelino não estivesse mencionando isso o tempo todo ultimamente, ela teria quase esquecido a data.
Aeliana recostou-se na cabeceira da cama e respondeu a cada mensagem com agradecimentos. Seus dedos tocavam levemente a tela, e seu humor se iluminava junto.
Ela rolou até o final da lista de contatos. O contato da família Oliveira estava silencioso, sem nenhuma mensagem.
Aeliana parou por um instante, depois soltou um riso leve e bloqueou a tela.
Não importava.
Ela já estava acostumada.
Nesse momento.
Aeliana ouviu um barulho vindo da porta.
A porta do quarto foi empurrada suavemente.
Aeliana olhou naquela direção.
Viu Beatriz espiando com cuidado. Ao perceber que Aeliana já estava acordada, seus olhos brilharam.
— Aeliana, você acordou!
— Feliz aniversário!

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