A água da chuva escorria pelas hastes do guarda-chuva, e os passos de Jocelino eram firmes e decididos, como se nem a chuva, nem a distância pudessem detê-lo.
A chuva aumentava, e as gotas batiam no chão, levantando pequenos respingos de água.
Através da cortina nebulosa de chuva, os dois se olharam em silêncio.
O olhar de Jocelino era profundo, como se houvesse uma correnteza oculta em seus olhos.
A expressão de Aeliana era calma, apenas o batimento cardíaco levemente acelerado traía suas emoções.
Com um movimento do pulso, Jocelino inclinou levemente o guarda-chuva, protegendo Aeliana dos fios de chuva que caíam.
Aeliana permaneceu imóvel até que o guarda-chuva cobrisse o céu acima de sua cabeça e o som da chuva fosse abafado. Só então ela levantou os olhos para ele.
— O que você está fazendo aqui?
Jocelino baixou os olhos, o olhar pousando nas pontas levemente úmidas do cabelo dela:
— Passei por aqui por acaso.
Aeliana ficou sem palavras:
— ...
A localização da Primeira Clínica ficava no centro histórico da cidade, definitivamente não era caminho para a casa de Jocelino.
A desculpa que ele inventou era, no mínimo, desajeitada.
Mas foi exatamente essa desculpa esfarrapada que fez o coração de Aeliana tremer.
Lembrando que eles ainda estavam em guerra fria, Aeliana virou o rosto:
— Eu estou de carro. Você só precisa me levar até o estacionamento.
Ela continuou:
— Eu posso voltar sozinha.
Jocelino rebateu:
— Não.
Ele insistiu:
— Entra no meu carro, eu te levo.
E completou:
— Ou eu dirijo o seu carro para te levar.
De qualquer forma, hoje ele teria que voltar junto com Aeliana.
Jocelino negou o pedido de Aeliana.
Com um tom que não aceitava recusa.
O clima agora estava propício.
Se ele deixasse Aeliana voltar sozinha, só Deus sabe quando conseguiria fazer as pazes com ela.
Aeliana notou pelo canto do olho que Jocelino instintivamente inclinava o guarda-chuva para o lado dela, enquanto o ombro dele ficava encharcado pela chuva.
Ele parecia não perceber, apenas a encarava teimosamente.
O coração de Aeliana amoleceu um pouco. Ela mordeu o lábio e o seguiu silenciosamente até o carro.
...
Dentro do veículo, Jocelino ajustou a temperatura atenciosamente.
O aquecedor deixava o ambiente agradável.
Jocelino entregou uma toalha limpa para Aeliana.
— Se seca um pouco.
O coração de Aeliana falhou uma batida.
Ele continuou:
— Eu vim especialmente para te buscar.
Uma frase simples, mas que fez o peito de Aeliana se encher de calor.
Ela baixou a cabeça, olhando para a toalha em suas mãos, e os cantos de seus lábios se curvaram involuntariamente para cima.
...
O carro entrou lentamente na escuridão.
Na cortina de chuva, duas figuras se aproximavam cada vez mais.
O carro logo chegou de volta ao Solar da Montanha.
Dentro do veículo.
A chuva lá fora continuava caindo.
As gotas batiam no vidro, emitindo um som denso.
O aquecimento interno deixava o ambiente acolhedor. Aeliana estava no banco do passageiro, acariciando levemente o cinto de segurança com a ponta dos dedos, sem escolher descer imediatamente.
Na verdade, no momento em que viu Jocelino na chuva hoje, a raiva de Aeliana já havia desaparecido completamente.
Após um momento de silêncio, Aeliana finalmente falou:
— Jocelino.
Ele virou o rosto para ela:
— Hum?

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