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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 642

A água da chuva escorria pelas hastes do guarda-chuva, e os passos de Jocelino eram firmes e decididos, como se nem a chuva, nem a distância pudessem detê-lo.

A chuva aumentava, e as gotas batiam no chão, levantando pequenos respingos de água.

Através da cortina nebulosa de chuva, os dois se olharam em silêncio.

O olhar de Jocelino era profundo, como se houvesse uma correnteza oculta em seus olhos.

A expressão de Aeliana era calma, apenas o batimento cardíaco levemente acelerado traía suas emoções.

Com um movimento do pulso, Jocelino inclinou levemente o guarda-chuva, protegendo Aeliana dos fios de chuva que caíam.

Aeliana permaneceu imóvel até que o guarda-chuva cobrisse o céu acima de sua cabeça e o som da chuva fosse abafado. Só então ela levantou os olhos para ele.

— O que você está fazendo aqui?

Jocelino baixou os olhos, o olhar pousando nas pontas levemente úmidas do cabelo dela:

— Passei por aqui por acaso.

Aeliana ficou sem palavras:

— ...

A localização da Primeira Clínica ficava no centro histórico da cidade, definitivamente não era caminho para a casa de Jocelino.

A desculpa que ele inventou era, no mínimo, desajeitada.

Mas foi exatamente essa desculpa esfarrapada que fez o coração de Aeliana tremer.

Lembrando que eles ainda estavam em guerra fria, Aeliana virou o rosto:

— Eu estou de carro. Você só precisa me levar até o estacionamento.

Ela continuou:

— Eu posso voltar sozinha.

Jocelino rebateu:

— Não.

Ele insistiu:

— Entra no meu carro, eu te levo.

E completou:

— Ou eu dirijo o seu carro para te levar.

De qualquer forma, hoje ele teria que voltar junto com Aeliana.

Jocelino negou o pedido de Aeliana.

Com um tom que não aceitava recusa.

O clima agora estava propício.

Se ele deixasse Aeliana voltar sozinha, só Deus sabe quando conseguiria fazer as pazes com ela.

Aeliana notou pelo canto do olho que Jocelino instintivamente inclinava o guarda-chuva para o lado dela, enquanto o ombro dele ficava encharcado pela chuva.

Ele parecia não perceber, apenas a encarava teimosamente.

O coração de Aeliana amoleceu um pouco. Ela mordeu o lábio e o seguiu silenciosamente até o carro.

...

Dentro do veículo, Jocelino ajustou a temperatura atenciosamente.

O aquecedor deixava o ambiente agradável.

Jocelino entregou uma toalha limpa para Aeliana.

— Se seca um pouco.

O coração de Aeliana falhou uma batida.

Ele continuou:

— Eu vim especialmente para te buscar.

Uma frase simples, mas que fez o peito de Aeliana se encher de calor.

Ela baixou a cabeça, olhando para a toalha em suas mãos, e os cantos de seus lábios se curvaram involuntariamente para cima.

...

O carro entrou lentamente na escuridão.

Na cortina de chuva, duas figuras se aproximavam cada vez mais.

O carro logo chegou de volta ao Solar da Montanha.

Dentro do veículo.

A chuva lá fora continuava caindo.

As gotas batiam no vidro, emitindo um som denso.

O aquecimento interno deixava o ambiente acolhedor. Aeliana estava no banco do passageiro, acariciando levemente o cinto de segurança com a ponta dos dedos, sem escolher descer imediatamente.

Na verdade, no momento em que viu Jocelino na chuva hoje, a raiva de Aeliana já havia desaparecido completamente.

Após um momento de silêncio, Aeliana finalmente falou:

— Jocelino.

Ele virou o rosto para ela:

— Hum?

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